A tática e o banho

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A tática e o banho
A tática e o banho

1 Não foi propriamente o Benfica que falhou no arranque do campeonato. A falsa partida pertenceu mesmo a Jorge Jesus. O empate consentido em casa frente a um adversário direto – o Sp. Braga dissipou neste domínio todas as dúvidas – revelou uma vez mais a teimosia criativa do treinador dos encarnados. Além do flop, já exaustivamente analisado nos últimos dias, que constitui a pseudoadaptação de Melgarejo, outros fatores contribuíram para o banho tático que José Peseiro deu no rival. Houve sagacidade e astúcia do treinador dos minhotos, mas também culpa do sobredimensionado ego do técnico campeão nacional em 2009/10.

2 A ideia de utilizar uma dupla de pontas-de-lança frente a adversários de bom nível está provado que raramente resulta. Aliás, foi assim que o Benfica perdeu a Liga na temporada passada, no encontro da Luz, frente ao FC Porto, quando entrou Rodrigo para o lugar de Aimar. Com um miolo desguarnecido, em que Javi García e Witsel enfrentavam praticamente sozinhos um quarteto formado por Custódio, Viana, Amorim e Mossoró, era óbvio que seriam os Guerreiros a ter a bola e a resolver o que fazer com ela... Aliás, neste capítulo, a estratégia foi pura e simplesmente impercetível, pois não sobrava qualquer jogador para a frente de ataque no banco de suplentes. Jesus nunca poderia, mesmo que o jogo por milagre o aconselhasse, refrescar a equipa mantendo o sistema tático. Ficámos igualmente pouco convencidos em relação à ausência de Carlos Martins. Apesar de uma pré-época fantástica, o internacional português – que ao que parece não estava a 100 por cento mas foi convocado – ficou fora do onze e, já na segunda parte, viu-se preterido por Aimar, reaparecido após prolongada lesão.

3 Para sorte de Jesus e principalmente de Vieira, que vai a votos já em outubro, o Benfica só está em desvantagem (teórica, é certo) perante o Sp. Braga. O Sporting tenta renascer pela enésima vez e o FC Porto, fruto de uma pré-época atribulada, ainda não se encontra em pleno. Os empates dos rivais de sempre atenuaram assim o prejuízo autoinfligido na véspera.

4 Com surpresas começou também o campeonato espanhol. Enquanto o Barcelona passeou a classe do costume, o campeão Real Madrid não conseguiu desenvencilhar-se do Valencia no Bernabéu. Os principais jogadores blancos estão longe da melhor forma e, numa liga tão bicéfala como a do país vizinho, desperdiçar pontos em casa com figurantes é fatal. Amanhã, os colossos medem forças e o panorama não se afigura nada animador para os homens de Mourinho.

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