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19 agosto 2009 - 11:14

A "traição" de Vukcevic

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Sou um defensor das leis, das regras e dos regulamentos. Se o Mundo já é bastante complicado desta forma, nem quero imaginar o que seria se cada um fizesse o que lhe apetece sem se preocupar (minimamente que seja) com os outros. Mas, entender a necessidade de vivermos dentro de determinados parâmetros não deve fazer com que, pura e simplesmente, se olhe para o que está pré-definido de forma ortodoxa. É que leis e regras desajustadas não faltam por aí. Centrando a análise no que ao futebol diz respeito, de imediato sou levado a falar no regulamento que impede os jogadores, aquando da marcação de um golo, de festejar da forma que bem entenderem.

O golo é o momento alto do jogo. Todos os futebolistas, inclusive os guarda-redes, sonham com o momento em que a sua arte e inspiração proporciona uma vitória importante à equipa, a conquista de um título. Quer isto dizer que, sempre que alguém marca, segue-se o momento dos festejos. Fora do campo, o público, naturalmente, pode saltar, gritar, empunhar bandeiras ou abraçar o desconhecido do lado. No entanto, no relvado, o autor da proeza tem de se lembrar que não pode correr para as bancadas, pendurar-se nas redes ou tão somente tirar a camisola. Por outras palavras, o artista está, antecipadamente, castrado na sua forma de comemorar a essência da modalidade. Eu sei que os regulamentos assim o determinam mas... não concordo, pois trata-se de uma regra completamente surreal.

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O que aconteceu a Vukcevic no Sporting-Fiorentina foi só mais um exemplo desta autêntica "imoralidade regulamentar" que, mais tarde ou mais cedo, terá de ser revista. Foi o montenegrino bem expulso por acumulação de cartões amarelos? À luz dos regulamentos... foi! Mas alguém pode considerar a sua saída do jogo como lógica? É claro que não! O jogador limitou-se a comemorar de forma instantânea. Prejudicou alguém? Ofendeu adversários, público ou árbitros? Não me parece! 

Por causa de uma lei nada democrática, o Sporting foi obrigado a jogar cerca de 30 minutos com um homem a menos e sabe, desde já, que em Itália não vai poder contar com os serviços de Vukcevic. E tudo isto aconteceu numa partida em que o senhor do apito se esqueceu de mostrar um vermelho directo a quem agrediu um opositor e o segundo amarelo a quem, em duas situações distintas, cometeu faltas merecedores de admoestação. Faz sentido? Não creio. É que de repente, "placar" um adversário ou pontapeá-lo com maior ou menor intensidade vale, à luz dos regulamentos, a mesma coisa que festejar um golo sem camisola. Entendo que se devem cumprir as regras, mas reafirmo também que se devem mudar (ou eliminar) as que estão erradas ou "descontextualizadas". A bem do bom-senso e do espectáculo.

PS - O que acabo de escrever em cima não me impede de acrescentar que Vukcevic facilitou a sua própria expulsão. O jogador, mais do que ninguém, tem de saber que está a actuar já com um amarelo. E também tem de ter presente os comportamentos que pode (ou não) fazer em campo. Ao agir sem pensar... prejudicou (e muito) a sua equipa. Um profissional nunca o deve fazer.

PS 1 - O Sporting, com mais uma entrada aos soluções e com erros defensivos graves, não jogou nada mal perante a Fiorentina. Aliás, ao quarto jogo oficial e diante do adversário mais cotado que encontrou até ao momento, os leões fizeram a sua melhor exibição da época. É verdade que continuam sem vencer, mas já se viram golos, oportunidades e, acima de tudo, atitude, nomeadamente a partir do momento em que o conjunto ficou em desvantagem numérica. O problema é que, para seguir em frente na Liga dos Campeões, vai ser preciso ganhar (ou empatar com vários golos) em Itália...

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