A vantagem do fracasso
1 - A vitória frente ao Sp. Braga reabriu ao Sporting outra frente de batalha. O acesso à 3.ª pré-eliminatória da Liga dos Campeões do próximo ano tornou-se um objetivo mais ao alcance dos leões, depois do triunfo suado diante do rival direto. Se Franky Vercauteren conseguir que a equipa arrepie caminho, os leões têm ainda uma palavra a dizer nesta luta. Não por apresentarem um plantel superior ao dos minhotos, mas porque podem concentrar-se quase em exclusivo nesta meta, enquanto o rival focará ainda a atenção nas competições europeias e na Taça de Portugal, que vão originar um inevitável desgaste no conjunto bracarense. Salvo qualquer milagre na Liga Europa, o 3.º lugar no campeonato e a Taça da Liga são praticamente tudo o que resta este ano ao Sporting. Mas mesmo encontrando a equipa num momento caótico, também o treinador belga se depara com um desafio pessoal. Há que conquistar espaço, estatuto e prestígio internamente para se tornar merecedor de novos investimentos no plantel, algo que, aliás, já está a conseguir. Resta saber se aparece dinheiro suficiente em Alvalade para o fosso em relação a FC Porto e Benfica se estreitar.
2 - Depois das saídas Javi García e Witsel e do castigo de Luisão, o Benfica debate-se agora com outra angústia. As lesões assolam o plantel e começam a ameaçar a equipa com a perda de pontos na Liga. Em Vila do Conde este cenário não esteve muito longe de concretizar-se. Além das contrariedades supracitadas, algumas delas por culpa própria, é difícil resistir a ausências mais ou menos prolongadas de jogadores como MaxiPereira, Garay, Enzo Pérez, Carlos Martins, Pablo Aimar ou Nolito. Com uma competência assinalável, Jorge Jesus tem resolvido os problemas, mas não vai conseguir operar milagres.
3 - No FC Porto, o panorama não é muito mais animador. A defesa e o meio-campo também têm sido fustigados e as soluções não são infinitas. Vítor Pereira conta, no entanto, com o maior desequilibrador do campeonato. James Rodríguez é realmente demasiado precioso.
4 - O compromisso de hoje frente ao Gabão vale 800 mil euros à Federação. O resto tem um interesse muito reduzido. Os clubes, portugueses e estrangeiros, perdem os principais elementos durante praticamente uma semana, os craques nacionais nem sequer estão focados neste jogo e Paulo Bento, que só tem o próximo embate oficial em março, poucas ou nenhumas ilações vai poder tirar deste injustificável particular. É possível quanto muito que um ou outro elemento agarre a oportunidade para mostrar serviço e figurar numa próxima convocatória. Em termos desportivos nada mais a esperar do Gabão-Portugal.
