A vez de Godinho
A assembleia geral desta semana não vai ficar na história do Sporting. Mas o que dela resultar vai. Eis o que está em jogo: é o fim de um grande clube; ou é o renascimento de um grande clube. Mas finalmente, Godinho Lopes controla o campo.
Na senda da auditoria que pôs a nu contas mal vestidas, esta reestruturação torna a organização simples e linear. E assim os credores veem as receitas na mesma “gaveta” de onde se pagam as dívidas. E assim o Sporting conseguirá não perder a maioria. E assim fica transparente, o que é importante para que os sócios saibam tudo. Que o clube está em falência, que quase tudo está hipotecado à banca, que as receitas não cobrem os custos diários, que isso significa chegar ao dia em que não se pagam salários. E que, como não há mais crédito (a reestruturação não aumenta o passivo, redistribui-o), o clube caminha para o desmembramento. Se nada for feito.
A reestruturação não é um fim, é um meio. E a resolução que Godinho propõe é estreita, difícil e improvável. O trabalho de Sá Pinto também era... A solução assenta em dois pilares: o financeiro, que visa reduzir a dívida de 220 milhões (que, assumamos, é impossível de pagar), o que se resolve com a entrada de investidores; e o económico, que passa por baixar os custos de quase 80 milhões e subir as receitas de quase 50 milhões, para o equilíbrio.
Haveremos de esmiuçar estes planos. Para já fica isto: é marcar dois golos pelo buraco de agulha. Se Godinho conseguir investidores e receitas, será o salvador do Sporting. Se não, será o coveiro. Mas depois desta assembleia, assumindo que o sinistro caso Cristóvão se deslinda, e como se viu pela excelente entrevista ao Record no sábado, o presidente escolheu campo e bola. Eis a voz de Godinho. Eis a vez de Godinho. Merece o benefício da dúvida.
