A vez de Lopetegui

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A vez de Lopetegui
A vez de Lopetegui

O FC Porto escolheu o espanhol Julen Lopetegui para comandar o seu barco nos próximos três anos. Uma aposta surpreendente, bem ao jeito de Pinto da Costa, na qual o dragão deposita a confiança para reerguer o clube e voltar a colocá-lo no caminho dos êxitos. Se é ou não uma boa opção, só o futuro o dirá. No entanto, existem sinais positivos que se podem verificar.

Relembrando o FC Porto de outros tempos, e numa era em que a informação circula rapidamente, a forma como o nome do treinador se manteve em sigilo foi exemplar. Vários nomes de candidatos à “cadeira de sonho” foram saltando cá para fora e nenhum deles era o de Lopetegui, que inclusivamente assistiu ao FC Porto-Benfica da meia-final da Taça da Liga sem que ninguém tivesse dado conta. Só uma notícia vinda de Espanha desvendou o segredo.

Por outro lado, o timing do anúncio do novo técnico é o ideal, dando tempo para que este possa idealizar e preparar a próxima época, analisando o atual plantel e dando o seu aval a futuros reforços que vierem a ser contratados, de modo a criar uma equipa mais forte e equilibrada do que a atual.

Ao que se diz em Espanha, trata-se de um treinador com personalidade forte, um condutor de homens, capaz de comunicar com o grupo e blindá-lo de pressões exteriores. Além disso, por via da sua experiência na Federação Espanhola de Futebol e na equipa de scouting do Real Madrid, é um grande conhecedor do mercado de jogadores jovens, o que representa uma mais-valia para o FC Porto e corresponde às necessidades do clube.

Tendo passado, enquanto jogador, por grandes clubes como Real Madrid e Barcelona, e sendo responsável por duas excelentes fornadas das selecções jovens espanholas, Lopetegui acaba por encaixar no perfil procurado pelo FC Porto: um treinador capaz de liderar o balneário, lidando com os tais “egos e superegos” de que falou ontem Paulo Fonseca, e ao mesmo tempo potenciar a formação (as renovações de Tozé, Gonçalo Paciência e Ivo Rodrigues apontam nesse sentido) e fazer crescer jovens talentos estrangeiros (como Reyes, Quintero e outros que possam vir).

Como obstáculo, Lopetegui apresenta pouca experiência como treinador ao serviço de clubes. Mas isso acaba por o aproximar de nomes como André Villas-Boas, Vítor Pereira ou Paulo Fonseca, entre outros antigos treinadores do clube, com a diferença de resultados que se conhece. Pinto da Costa sempre gostou de criar treinadores campeões, profissionais com ambição e vontade de ganhar, pelo que o técnico espanhol não foge a esta regra.

A identificação com os ideais do FC Porto, no que respeita à filosofia de jogo, é outro aspeto positivo, de forma a dar continuidade às equipas guerreiras e pressionantes, jogando com muita circulação de bola e pressão alta, dando corpo a um futebol ofensivo que sempre caraterizou os azuis e brancos.

Retenho uma frase do novo treinador dos dragões, proferida na sua apresentação: “Temos de pôr o talento ao serviço do coletivo.” Isto significa que Lopetegui já começou a fazer o diagnóstico ao que falhou na atual temporada e rapidamente identificou uma das principais lacunas da equipa para corrigir no próximo ano. Os três anos de contrato demonstram uma grande confiança da SAD portista em que este é o homem certo para guindar o clube de volta às vitórias. Não é a escolha mais óbvia, mas merece todo o crédito para poder mostrar o que vale.

O CRAQUE

Tiba voará mais alto

Na sua época de estreia num campeonato profissional, Pedro Tiba está a ser uma das principais revelações da 1.ª Liga e não é por acaso que já desperta a cobiça de emblemas maiores. Depois de uma temporada em que marcou 16 golos no Tirsense, chegou ao V. Setúbal com 25 anos, mas ainda a tempo de singrar. Atuando como médio-interior ou extremo, Pedro Tiba tem sido um poço de energia, capaz de pressionar os adversários e recuperar bolas, assim como de levar a equipa para a frente, fruto da sua boa técnica, leitura de jogo e facilidade de remate. Provou ser jogador para voos mais altos.

A JOGADA

Contratação histórica

Uma treinadora de futebol portuguesa acaba de fazer história no mundo do futebol. Helena Costa será a técnica principal da equipa masculina do Clermont Foot, da segunda divisão francesa, na próxima temporada. Será a primeira vez que uma equipa profissional masculina será comandada por uma mulher, o que constitui uma mudança de mentalidade que se aplaude e que prestigia o futebol português. A competência não deve olhar a géneros, pelo que faz todo o sentido que as mulheres também possam contribuir com a sua qualidade e conhecimento para o futebol masculino.

A DÚVIDA

Uma ameaça monegasca

Começa a correr o rumor insistente de que, no próximo ano, o Monaco será dirigido por um treinador português. Os nomes de Jorge Jesus e Leonardo Jardim são os mais falados, o que configuraria um rude golpe para algum dos rivais da Segunda Circular, caso venha a perder o seu técnico. Jesus e Jardim foram peças importantíssimas nas excelentes temporadas de Benfica e Sporting, respetivamente. Estarão Luís Filipe Vieira ou Bruno de Carvalho preparados para deixarem sair os seus timoneiros? E que nomes poderão suceder aos atuais técnicos?

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