Acabou a militância de Franco
Perante a surpresa geral, Filipe Soares Franco anunciou que vai abandonar a presidência do Sporting. Quando tive conhecimento da notícia, confesso que não lhe atribuí muita importância. Estava convicto que todo este alarido não passava de uma jogada estratégica para pressionar o eleitorado leonino a vir, num ápice, apoiar o líder, desfiando um ror de elogios fáceis.
Este tipo de "táctica", aliás, não é virgem em Alvalade. No passado recente, quando o ainda presidente pretendia fazer passar determinadas ideias, várias vezes agitou o fantasma do adeus caso os seus propósitos não fossem sufragados pela esmagadora maioria dos associados.
Desta vez, porém, foi diferente. E fui forçado a mudar de opinião quando vi Judite Sousa, provavelmente com as mesmas dúvidas que eu (e muitas outras pessoas), colocar a questão directamente a Soares Franco. "Não está à espera de uma vaga de fundo a apoiá-lo"?, inquiriu. Sem hesitar, o dirigente assumiu que a decisão estava tomada, devidamente amadurecida. Não há "vagas" para ninguém!
As explicações dadas para o inesperado desfecho foram várias mas, como sempre, algumas só servem para entreter. Soares Franco vai bater com a porta, apenas e só, porque não foi capaz de garantir os apoios necessários entre os sócios para guiar o clube pelos caminhos que considera mais indicados. Mais: nunca o conseguiu, nem tem a esperança de o lograr nos tempos mais próximos.
A militância de Soares Franco parece, pois, ter chegado ao fim. Para quem não teve receio de acusar a família leonina de falta dessa mesma militância, não deixa de ser curioso vê-lo abdicar... de lutar pelos seus princípios e ideais. Mas, a questão da militância sempre foi um dos erros (talvez o maior) do líder sportinguista. A incapacidade de falar ao coração dos adeptos; a pouca disponibilidade para o diálogo com as bases e o desinvestimento óbvio nas modalidades (a não construção do pavilhão, mais que uma falha, foi uma promessa vã) contribuiram, decisivamente, para que a marca Sporting perdesse impacto junto dos adeptos. Tal só não seria fulcral caso o futebol tivesse desatado a vencer campeonatos. Mas, isso, como se sabe, também não aconteceu...
