Acorda Sporting não sejas refém

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Acorda Sporting não sejas refém
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Fala-se, no Sporting, de uma crise desportiva sem paralelo na história do clube de Alvalade. Fala-se amiúde de uma crise financeira. Fala-se de crises conjunturais e estruturais. Ainda não se falou das maiores das crises – a crise existencial.

O Sporting, nos últimos anos, incapaz de travar os desmandos de gestão e a abertura de um buraco cada vez mais fundo, acumulou erros e prejuízos, beneficiando da compreensão de uma massa associativa generosa e militante.

De cabeça perdida sobre a orientação a tomar, sem estratégia na relação com os parceiros e adversários, sem perceber o que fazer com o futebol, sem definir o rumo e um modelo de funcionamento da Academia, os principais dirigentes do clube foram delapidando o património do Sporting, nas suas vertentes desportiva e não desportiva, até se chegar ao ponto actual, em que tudo se questiona, até – no limite – a viabilidade do clube nos domínios do futebol profissional, dados os seus custos, a dimensão do serviço da dívida (à banca) e a incapacidade de gerar receitas.

Os dirigentes do Sporting abusaram da paciência e da generosidade dos adeptos e foram cedendo em muitas batalhas. Distanciaram-se das “zonas de poder” e aceitaram um papel menor no plano das alianças e das aproximações estratégicas. Poucos foram os que perceberam a importância do grito de Dias da Cunha, o último presidente do Sporting que fez alguma coisa para tentar “acordar o leão”. Em vez de o acompanharem, esvaziaram-no e canibalizaram-no, sem dó nem piedade. O Sporting domesticou-se e aceitou a sua condição de clube relegado, e é por isso que a corporação da arbitragem trata o Sporting como um clube menor, não espetando as garras (do corporativismo) quando estão em causa atitudes “anti-arbitragem” protagonizadas por outros emblemas.

Pinto da Costa disse um dia que “enquanto fomos bons rapazes, fomos sempre comidos”. O FC Porto, para afirmar a sua identidade, cerrou fileiras, seleccionou os inimigos e, durante anos, calçou as botas cardadas sem qualquer tipo de romantismo. Criou uma competitividade interna para ser competitivo externamente. É essa competitividade interna que o Sporting não tem (no bom sentido). A competitividade interna só serve para desalojar, empurrar, tomar o lugar, comer o croquete.

O Sporting ainda não encontrou o presidente capaz de voltar a unir e agregar, o líder, o verdadeiro líder. Foi essa fraca liderança que fez crescer, dentro de Alvalade, uma liderança paralela, aparentemente consonante com a de Godinho Lopes, mas em muito distintiva. O Sporting não soube lidar com isso. E, neste momento, ainda é refém de um processo para o qual não soube encontrar resposta.

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