Adeus europeu
1 - A última investida do Zenit no mercado de transferências transformou num êxito económico-financeiro o defeso dos dois principais candidatos ao título, mas desprotegeu-os do ponto de vista desportivo. Intramuros, FC Porto e Benfica continuam com todas as condições para discutirem entre si a Liga, tal como aconteceu nos últimos anos, mas, no plano internacional, as aspirações de dragões e encarnados deixaram de ser as mesmas. Sem Alvaro Pereira e Hulk de um lado, e sem Javi García e Witsel do outro, as principais equipas da Europa ficaram muito mais distantes dos dois clubes portugueses que mais esperança alimentavam numa bem sucedida carreira na Champions.
2 - A FC Porto e Benfica faz-se agora a pergunta que é colocada a quem ganha o jackpot do Euromilhões: como vão utilizar tanto dinheiro? Partindo do princípio que os passivos não serão amortizados – estranhamente nunca pareceu existir grandes preocupações a este nível – e que o mercado entretanto encerrou, a resposta é simples: para já, de modo nenhum. Em janeiro, no entanto, a janela de transferências reabrirá, só que raros são os treinadores que se mostram apologistas de alterações significativas nas equipas. Os nomes sonantes estão, por outro lado, indisponíveis e sobram pouco mais do que excedentários dos grandes clubes.
3 - Olhamos para a classificação da Liga e somos confrontados com algo muito estranho. O Sporting está em penúltimo lugar com os mesmos pontos do lanterna-vermelha, o Nacional. A posição dos leões é obviamente justificável. O campeonato só agora começou e há um jogo em atraso ainda por disputar. Só que o moral de uma equipa e dos seus adeptos nem sempre atende aos factos, pelo que será muito difícil de gerir um eventual desaire na Madeira, no dia 16.
4 - A Volta a Espanha está a ter, tal como já se perspetivava, muito mais emoção do que o Tour. A etapa que terminou em Cuitu Negru, na segunda-feira, foi o espelho da dificuldade e, simultaneamente, da competitividade que se pretende numa grande prova velocipédica. Sábado é o dia das grandes decisões e, apesar do favoritismo de Purito Rodriguez, ninguém pode garantir que Alberto Contador não supere finalmente o compatriota ou que, mais difícil ainda, Chris Froome não possa aproveitar um dia mau de Alejandro Valverde para chegar ao pódio. Enfim, ao contrário do que aconteceu na Volta a França, não será a Sky a determinar o vencedor. Ganhará quem tiver mais argumentos.
