Afinal há outro Sporting

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Desde o dia em que a proposta de Filipe Soares Franco no sentido de alienar património não passou em assembleia geral fiquei convicto de duas coisas: Franco iria ser candidato e sucederia a si próprio enquanto presidente do Sporting. A primeira "visão", embora o visado tivesse necessitado da notável vaga para confirmar o óbvio, já se tornou realidade. A segunda, continuo a acreditar, será confirmada dia 28.

Mas, confesso, estou surpreendido com o rumo do processo eleitoral no clube de Alvalade. E tudo por culpa de Abrantes Mendes que, para espanto meu, afinal parece ser capaz de reunir alguns nomes conhecidos em torno do seu projecto, embora não se tratem de banqueiros ou de figuras de proa nos meandros do clube. São "apenas" nomes que dizem "algo" aos associados.

E até junto da banca o candidato dá sinais de solidez, recebendo, antecipadamente, "luz verde" para poder avançar com as suas ideias em caso de triunfo. Pelos vistos, há quem acredite que o clube tem solução sem necessitar de vender património.

Mendes, mesmo utilizando, aqui e ali, uma táctica "demasiado ofensiva", está a ganhar terreno. Não creio que seja o suficiente para incomodar Franco, mas chega e sobra para demonstrar que, no universo leonino, existe uma facção que há muito não dava sinais de vida.

Mendes corporiza a ala popular do Sporting e fala pelos associados que não desejam um clube elitista, recheado de doutores e engenheiros. Justa ou injustamente, há cada vez mais sportinguistas a colocar em causa o "modus operandi" de dirigentes que, ciclicamente, garantem saber o único caminho para o clube trilhar. O tempo tem comprovado que nem sempre as ideias brilhantes acabam por cintilar.

A família leonina, como qualquer outra, tem espaço para acolher gente de todas as proveniências, credos ou raças. Mendes parece apostado em comprová-lo e para tal não hesita em enfrentar um grupo que, quer se queira ou não, é de continuidade. Estão com Franco quase todos aqueles que têm estado à frente dos destinos dos clube nos últimos anos. Ou seja, muitos dos responsáveis pelo actual estado caótico das finanças do Sporting.

Mendes quer "cortar" com muito dos denominados notáveis, com gente de nomes extensos, pomposos e repletos de letras dobradas. Mas também gente que não pestanejou em ceifar o ecletismo do clube; que critica quem se aproxima a um rival, fazendo o mesmo com outro (e com o mesmo resultado prático, acrescente-se...) ou se escondeu (saindo ao intervalo ou a meio da segunda parte) quando a equipa de futebol não rendeu. E esta estratégia, provavelmente não dando para vencer, tem os seus adeptos...

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