Agora é olhar em frente

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Agora é olhar em frente
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Uma tristeza enorme. Foi o que senti assim que acabou o nosso jogo contra o Gana. Depois do empate frente aos Estados Unidos, a nossa missão era difícil, mas não impossível. Acredito sempre até ao fim e o jogo mostrou que tínhamos razões para não desistir. Criámos oportunidades suficientes para chegar ao resultado que muitos diziam ser um milagre.

Desta vez, as bolas não entraram, mas estivemos muito melhor do que nos dois jogos anteriores. Depois do pesadelo frente à Alemanha, também não estivemos bem frente aos norte-americanos, mas empatámos. Com o Gana voltámos a jogar o nosso futebol e a mostrar a qualidade que nos levou às meias-finais do Euro’2012. Infelizmente, não chegou, não a vale a pena chorar porque a vida continua. Em setembro iniciamos uma nova caminhada: a qualificação para o Euro’2016, que se realizará em França. Temos o primeiro embate com a Arménia e é fundamental entrar a vencer.

Precisamos de olhar em frente. O fim do Mundial não é (nem pode ser) o fim do Mundo. Está na hora de refletirmos sobre o que correu mal, para que não se voltem a cometer os mesmos erros nas próximas fases finais. Mas não podemos querer que se mude tudo de raiz, porque muitos destes jogadores ainda podem ajudar a Seleção. Também fiquei contente por ouvir o presidente da Federação, Fernando Gomes, dizer que Paulo Bento vai continuar. Falou de forma clara e “matou” a polémica à nascença. Teve a liderança que era necessária num momento de grande desilusão. Os contratos são para se cumprir e o Mundial não pode apagar todo o trabalho que foi feito antes, no Euro’2012, e na qualificação para o Brasil.

Também precisamos de ver que esta competição tem sido especialmente crítica para as seleções europeias. Seja pelo clima, seja pelo desgaste físico de uma longa época de clubes, a verdade é que três dos quatro semifinalistas do Euro’2012 já voltaram a casa: Portugal, Espanha e Itália. Costuma ser assim quando o Mundial se joga fora da Europa. Os europeus só venceram uma Copa jogada noutro continente: vitória da Espanha, em África do Sul, em 2010. De resto, as vitórias foram sempre para os países sul-americanos. Mas o contrário também acontece. A única vez que uma equipa sul-americana venceu um Mundial disputado na Europa foi em 1958, na Suécia, com o Brasil de Pelé. Por isso, não me admirava nada que este Mundial fosse ganho por uma equipa sul-americana, mas temos de ter em atenção potências europeias como a Holanda, a Alemanha e a França.

Apesar da tristeza por termos ficado de fora na fase de grupos, este Mundial está a ser incrível. E promete ficar ainda melhor agora que começaram os jogos a eliminar. Ninguém esperava que equipas como a Costa Rica, os Estados Unidos ou até mesmo a Grécia chegassem a esta fase. Mas são a prova viva de que neste Mundial não há vencedores antecipados nem equipas fracas. Os costa-riquenhos, vindos do chamado grupo da morte, foram mesmo a maior surpresa. Esperava-se que voltassem a casa com zero pontos. Mas venceram o Uruguai (3-1), a Itália (1-0), empataram contra os ingleses (0-0) e garantiram o primeiro lugar do grupo.

Agora vão jogar contra a Grécia do nosso Fernando Santos. Um treinador que já fez história, porque os gregos nunca tinham chegado aos “oitavos” do Mundial. Conseguiram a proeza com um dos grandes treinadores do nosso futebol. O Fernando não tem muitos craques, mas fez uma equipa disciplinada e com grande capacidade de sacrifício. Venceu a Costa do Marfim num jogo dramático e vai defrontar a equipa-sensação do Mundial. Não será fácil, mas o Fernando pode fazer ainda mais história.

OCarlos Queiroz também está de parabéns. O seu Irão já está em casa, mas fez uma grande prova contra seleções com mais experiência. Estiveram quase a conseguir um empate contra a Argentina e só não alcançaram essa proeza por causa do génio de Messi num golo marcado nos últimos minutos. Além disso, conseguiram chegar ao último jogo, frente à Bósnia, a lutar pelo apuramento. O Carlos tem todas as razões para sair deste Mundial orgulhoso do seu trabalho e da sua equipa.

Ontem começaram os “oitavos” e tivemos um jogo espetacular logo a abrir. O Brasil-Chile foi um hino ao futebol. Duas grandes equipas, cheias de caráter e coragem. Com grandes doses de drama e emoção. Resolveu-se tudo na lotaria das grandes penalidades, onde os brasileiros foram mais felizes. Mais um grande momento. E o Mundial continua…

GRANDE CALDEIRADA - As dentadas de Suárez

Uma, duas, três. Agora já não há volta a dar. O uruguaio Luis Suárez foi condenado a quatro meses de suspensão e nove jogos de castigo na seleção depois de ter mordido Chiellini. Em todos os anos em que joguei futebol, nunca levei uma dentada. Nem posso imaginar qual seria a minha reação. Por isso, não posso condenar o Chiellini por lhe ter dado um safanão quando sentiu os dentes no ombro. Não ponho o castigo em causa, porque foi a terceira vez que o Suárez fez isto. Mas podiam tê-lo deixado ficar com a comitiva. Acho que o Suárez é um dos melhores jogadores do Mundo, mas é uma pena que continue a agir assim. Prejudica-se a ele, à sua seleção e ao Liverpool.

MELHOR MOMENTO - Sempre Godín

Foi um dos heróis da grande época que o meu Atlético Madrid realizou. E no Brasil fez o mesmo pelo Uruguai. É um central incrível e tem uma veia goleadora impressionante que aparece sempre nos grandes momentos. Marcou o golo que nos deu o campeonato na última jornada, em Camp Nou, frente ao Barcelona. Também nos fez sonhar com a vitória na Champions quando bateu Casillas e nos pôs a ganhar 1-0 na final de Lisboa. No Brasil, saltou e marcou com as costas o golo decisivo que deu a vitória ao seu Uruguai e eliminou a Itália. Um dos melhores defesas centrais do Mundo.

O CRAQUE - Messi decisivo

A Argentina não está a fazer um grande Mundial. Messi também não está a cem por cento. Mas aparece para decidir sempre que a equipa precisa dele. Já leva quatro golos e só é suplantado por James Rodríguez, que tem cinco. Está a subir de rendimento e pode ser o grande herói deste Mundial. Em 1986, no México, a Argentina também não era brilhante mas apoiou-se no génio de Maradona para ser campeã. Para já, Messi está a fazer o mesmo no Brasil. Com Messi nesta forma, os argentinos podem sonhar com a conquista do terceiro Mundial.

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