Águia sem mais milagres

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Os milagres europeus do Benfica terminaram em Nuremberga. Em Espanha, perante aquilo que se pode designar como a equipa de reservas do já de si modesto Getafe (conjunto que troca bem a bola, que sai com propriedade para o contra-ataque, mas com escassa experiência internacional e sem figuras de primeiro plano), as águias foram incapazes de dar a volta a uma eliminatória que, recorde-se, começou a ser perdida ainda antes dos pupilos de Michael Laudrup marcarem o primeiro golo na Luz. Foi Cardozo, num gesto tão grosseiro quanto despropositado, quem lançou os espanhóis para os quartos-de-final da Taça UEFA. O que não significa que, de outra forma, o desfecho não fosse o mesmo...

O Benfica sabia que precisava de marcar 2 golos em Espanha para seguir em frente ou, no mínimo, chegar ao prolongamento. Mas, cedo se percebeu que isso era uma missão impossível. Makukula, entre a falta de sorte e a falta de jeito, teve oportunidade de dar esperança à equipa mas, depois desse lance logo de entrada, os encarnados só voltaram a criar perigo aos 68 minutos, no único remate digno desse nome, quando Rui Costa obrigou o guardião contrário a defesa atenta.

De resto, foi o costume: equipa sem ideias, frescura física, velocidade, capacidade para explorar as faixas... sem talento. Este Benfica - que possui efectivamente alguns bons executantes - não tem colectivo. E a culpa, claro está, é de muita gente mas não de Fernando Chalana que, tal como lhe competia, escalou um onze com dois dianteiros e acabou sem grandes cuidados defensivos, permitindo que o adversário, em contra-golpe, ganhasse a partida.

Ao Benfica faltou quase tudo nesta despedida europeia, inclusive um Rui Costa mas certeiro no passe, um Petit mais raçudo, um Nuno Gomes mais móvel ou um Rodríguez mais objectivo. Já a outros, com Makukula e Edcarlos em destaque, faltou o de sempre: qualidade.

Em resumo, depois do FC Porto também o Benfica sai da Europa vergado perante uma equipa que, tendo nível, podia e devia ser acessível. Resta agora esperar que o Sporting, após ter conquistado vantagem em Inglaterra, não escorregue em casa diante de um Bolton que, vindo de uma Liga fortíssima, não pode assustar ninguém.

PS - A meio de Março o Benfica só luta pela conquista da Taça de Portugal (tem de disputar a meia-final em Alvalade) e pelo segundo lugar na Liga. Luís Filipe Vieira já devia ter assumido a sua responsabilidade, pois muitos dos erros cometidos por terceiros começaram, passaram ou acabaram em opções suas.

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