Ai aguenta aguenta
Para quem não percebeu: Bruno de Carvalho matou o assunto dos salários em atraso no Sporting antes que ele nascesse a meio da campanha eleitoral. E fez bem.
As eleições em Alvalade estão a polarizar-se entre Couceiro e Carvalho. O chavão de que um é o candidato da banca e o outro é contra ela é errado, como aqui foi escrito há uma semana. Mas parece plausível dizer que um será o candidato da evolução e o outro o da revolução.
Das 120 propostas ontem apresentadas por Carvalho, a mais importante foi a que não foi feita. Não foram apresentados cheques, prometidos jogadores, embandeirados treinadores. E isso indica que a campanha só vai valer por um coisa: Bruno Carvalho, ele próprio. Do que foi dito, o mais importante foi a ameaça de processo à gestão de Godinho Lopes caso haja salários em atraso à chegada do novo presidente. A ameaça não é, contudo, só para Godinho. É para a banca.
O Sporting tem problemas de tesouraria graves. Há meses que é o BES que vai cobrindo os “buracos” e permitindo que o Sporting mantenha os compromissos em dia. A possibilidade de os salários deixarem de ser pagos precisamente durante as eleições seria uma estranha coincidência. Ou uma estranha forma de pressão sobre os candidatos. Para quê? Para que apresentassem cheques.
Ao ameaçar processar a antiga gestão, Bruno de Carvalho está a convocar os bancos para aguentarem o Sporting mais algum tempo, antecipando a subsequente reestruturação do passivo. Se a banca cortar o crédito, ou cai dinheiro do céu ou os jogadores começam a sair e Sporting entra em insolvência. E como é tão inverosímil chover euros como o Sporting cair, os bancos serão parte da solução. Com Couceiro ou com Carvalho. A banca não aguenta mais? Como diz o banqueiro, “ai aguenta aguenta.”
