Altos salários

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Altos salários

Se questionamos os salários dos gestores e os salários dos políticos; se nos queixamos de salários que, em Portugal, são tão mais altos do que os tão mais baixos, por que razão toleramos salários astronómicos de jogadores de futebol? A pergunta foi colocada há dias por Frei Fernando Ventura. E bem colocada.

Numa excelente entrevista a António José Teixeira, na SIC Notícias, o padre franciscano capuchinho fez questão de elogiar Cristiano Ronaldo, que nesse mesmo dia havia recebido a sua segunda Bota de Ouro. Mas confrontava-nos com esta espécie de indignação seletiva que temos, que não acha estranho que haja jogadores a ganhar somas fabulosas e que inclusive o exibem, viajando em automóveis opulentos e cobrindo-se de marcas com preços para produtor de petróleo. Estamos a falar de clubes em Portugal.

Mas a melhor pergunta de Frei Fernando Ventura veio depois: como é que clubes que estão tecnicamente falidos e que se afundam em prejuízos, pagam salários tão altos?

Os salários são feitos em mercado, resultando do jogo da oferta e procura internacional. Mas há intermediários que interferem nesta formação de preços e presidentes de clubes que alinham em loucuras em seu benefício e que os aniquilam. E isso tem levado campeonatos inteiros à inviabilidade. Esse tipo de fenómenos já levou, inclusive, a colocar tetos às remunerações de atletas noutros países, como os próprios Estados Unidos, país insuspeito de gostar de intervencionismos.

Falemos de Portugal: muitos clubes onde jogam estrelas bem pagas estão falidos. Jogam em cidades onde há fome, pobreza e iniquidade. Os mesmos que atiram pedras aos gestores, atiram flores aos jogadores de futebol. Não faz sentido, pois não? A paixão cega mesmo.

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