Amnistiar clubes?

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Amnistiar clubes?
Amnistiar clubes?

Manchete de ontem do “Negócios”: “Fisco avança com novas execuções contra Federação e Liga de Clubes”. Sim, é o Totonegócio. Ainda o Totonegócio. Sempre o Totonegócio. Os clubes de futebol têm dinheiro para tudo, para construir centros de estágio, para comprar jogadores por balúrdios, só não têm é dinheiro para pagar impostos. Impostos, paguemo-los nós.

As barbas desta história já davam para pôr Portugal inteiro de molho. Desde 1999 que andamos nisto, em coleções de dívidas fiscais que os clubes de futebol não pagam, foram financiadas por receitas do Totobola, chegou-se ao final de 2004 e ainda faltava dinheiro; abriu-se a sequela, o Totonegócio Parte 2, para um novo pacote de favor de cinco anos, outra vez receitas de Totobola, outra vez ficou dinheiro por pagar. O Fisco começou há um ano a refazer as contas, faltam ainda 13 milhões de euros. E agora, 2011, a conta é apresentada, nasce o processo de execução sobre a Federação e Liga de Clubes.

A Liga e a Federação, em representação dos clubes, já fizeram agora o que fazem sempre: em vez de ir ao advogado, ao contabilista ou ao banco, vão ao Governo. Já lá foram pedir novos perdões, planos de pagamento, amnistias ou qualquer favor que lhes valha. Parece que o Governo lhes bateu com a porta na cara. Espero bem que sim.

Há hoje milhares de empresas aflitas, de portugueses sacrificados, de desempregados trucidados, de gente verdadeiramente à rasca. E os clubes, que gastam milhões em jogadores-bibelot, não pagam o que custam dois Witsel.

O futebol é uma paixão e as paixões cegam. Mas não podem cegar o contribuinte que existe dentro de cada adepto. Porque tudo o que um devedor não paga, pagamos nós. Essa lição já aprendemos nós no último ano. Ou ainda não? O “paga o que deves” devia ser lei. Aliás: é. Ninguém diria.

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