Anormalidades

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1 Há uma única equipa no Planeta capaz de fazer frente ao Barcelona. É o Real Madrid... e só quando atravessa um bom momento. Todos os outros empates e derrotas averbados pelos catalães desde a era Guardiola são puras anormalidades. No bom sentido da palavra, evidentemente.

O futebol é fértil neste tipo de surpresas e o colosso blaugrana, por muito poderoso que seja, não lhes está imune. Fruto precisamente de um anormalidade, que foi a derrota de Messi e companhia em Glasgow, o Benfica não está já qualificado para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões. E possivelmente não vai estar se o Spartak Moscovo, já de férias no que a competições europeias diz respeito, não der hoje uma ajuda em Celtic Park. Mesmo com as poupanças de Tito Vilanova, é uma missão quase impossível aquela que o Benfica, também ele debilitado por lesões, tem hoje pela frente em Camp Nou. Ficamos, no entanto, à espera de outra anormalidade.

2 - Anormalidades são também as derrotas do FC Porto, principalmente nas competições intramuros. De tão raras, provocam a indignação dos mal habituados adeptos e um coro de críticas dos mais variados quadrantes, tendo o treinador invariavelmente como alvo. O que aconteceu em Braga não foi um fenómeno de gestão inadequada do plantel por parte de Vítor Pereira. Foi tão-só a expulsão de Castro a deitar por terra uma boa ideia e que estava a ter sucesso até ao minuto do cartão vermelho ao médio. Com menor cansaço. o FC Porto foi a Paris em busca do 1.º lugar do grupo de qualificação. Sem sucesso, para mal dos pecados do mal-amado técnico.

3 - Menos anormais são esta época os desaires do Sporting. E quem tem assento na imensidão de órgãos consultivos, deliberativos, vinculativos, retroativos e proativos do reino do leão parece importar-se pouco com os problemas desportivos (e também financeiros) que assolam o clube. Apesar das críticas, Godinho Lopes continua a caminho do abismo. Como aqui se escreveu na passada semana, ser honesto e bem intencionado não chega para dirigir um emblema desta dimensão.

4 - O folhetim da continuidade de Mourinho no Real Madrid é o que assume contornos de maior normalidade, conhecendo-se as partes envolvidas. O treinador tem uma atração natural pela polémica mediática e o jornal “Marca”, que considera não receber a devida importância do imigrante português, capaz de despedir o amigo e ex-colunista Jorge Valdano, aposta num rápido divórcio. Tê-lo-á certamente. Face aos novos dados, deixará Espanha mesmo que ganhe a Liga dos Campeões. Mourinho parece estar farto.

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