Opinião

Miguel Salema Garção Gestor e antigo dirigente do Sporting

Antes de tudo, Um Exemplo!

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Há jogadores que se distinguem pelos títulos que conquistam. Outros pelos golos que marcam ou pelas exibições que protagonizam. E depois há aqueles cuja maior conquista é o respeito unânime que deixam em todos os que com eles se cruzam. João Matos pertence a esse grupo restrito.

Ao anunciar o fim da sua carreira, o futsal português despede-se de um atleta ímpar. O Sporting Clube de Portugal despede-se de um dos seus maiores símbolos. E todos os que gostam verdadeiramente de desporto despedem-se de um exemplo de profissionalismo, carácter, compromisso e sentido do dever.

Durante anos, João Matos vestiu a camisola do Sporting com uma entrega inquestionável. Nunca precisou de protagonismo para ser líder. Nunca precisou de palavras sonantes para demonstrar a sua paixão pelo clube. Fê-lo da forma mais nobre: através do trabalho diário, da disciplina, da humildade e do respeito absoluto pelo símbolo que trazia ao peito.

Sempre admirei a sua forma de estar e de jogar. A intensidade com que disputava cada lance, a seriedade com que encarava cada treino e cada jogo, a forma como colocava o coletivo acima do individual. Em cada atitude transmitia uma mensagem poderosa: representar o Sporting não é apenas um privilégio, é um orgulho e uma responsabilidade.

Também ao serviço da Seleção Nacional foi um exemplo. Representou Portugal com a mesma dedicação, a mesma entrega e a mesma dignidade que demonstrou ao longo de toda a carreira. Foi um capitão dentro e fora da quadra, um líder respeitado pelos companheiros e admirado pelos adversários.

Numa época em que tantas vezes se fala da falta de referências para os mais jovens, João Matos mostrou que é possível construir uma carreira de excelência sem abdicar dos valores. É esse o legado que fica. Um legado que vai muito para além dos troféus conquistados.

Por isso, acredito que o seu percurso no Sporting não deveria terminar com o último jogo. Homens com este perfil, com este conhecimento, com esta cultura de exigência e este amor ao clube são demasiado valiosos para se perderem. O Sporting deve encontrar uma forma de continuar a contar com o seu contributo, porque há exemplos que não podem sair pela porta sem deixar continuidade.

As carreiras dos atletas terminam. Os símbolos permanecem.

Obrigado, João Matos, por tudo o que deste ao Sporting, ao futsal português e ao desporto nacional. Obrigado por demonstrares, ao longo de tantos anos, que a verdadeira grandeza mede-se pelo caráter, pela dedicação e pelo respeito que se conquista.

Que as novas gerações olhem para ti não apenas como um grande jogador, mas como aquilo que realmente foste e continuarás a ser: um exemplo.

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