Aprender com os erros
Em função do que se tem observado, parece notório que Paulo Fonseca ainda não assimilou a mística e cultura do FC Porto. Exibições que não entusiasmam, erros que se vão repetindo e discursos pouco convincentes não se compadecem com a bitola de exigência dos dragões. Tal como aconteceu com Vítor Pereira há dois anos, o técnico terá de fazer a sua aprendizagem e crescer em pleno processo competitivo.
Antes de mais, devo dizer que admiro o trajeto de Paulo Fonseca. Um jovem treinador que subiu a pulso pelas várias divisões inferiores e que chega a um grande com todo o mérito, depois de uma época excelente em Paços de Ferreira. Não se pode pôr em causa o seu empenho, dedicação e capacidades. No entanto, o nível do futebol praticado pelo seu FC Porto indicia algum desfasamento da realidade do clube em que se encontra.
A equipa azul e branca não está a atingir o seu potencial. E há várias razões para chegar a este diagnóstico. A falta de competência para resolver jogos com adversários teoricamente mais fracos é uma delas. Ver o FC Porto facilitar, não ser capaz de ampliar vantagens, ainda para mais em jogos no Dragão, não era algo a que estávamos habituados. E muito menos assistir, em determinados momentos, a uma equipa retraída com passes para o lado e para trás, arriscando-se a dissabores.
Falta de intensidade, elevada percentagem de passes errados no meio campo, poucos remates de longa distância, perda de coesão defensiva e pouca de velocidade e profundidade nas alas são outros problemas detetados. É um FC Porto capaz do melhor e do pior em 90 minutos, que muitas vezes se socorre das ações individuais em detrimento do jogo coletivo.
Não quis abordar antes a questão do duplo pivô do meio-campo, mas parece evidente que os jogadores não o estão a interpretar bem. Mexeu-se numa fórmula de sucesso, com rotinas de vários anos, e isso tem resultado num meio-campo sem organização, que não resguarda a defesa e não tem ideias. E sente-se que Fernando, Lucho (a sua qualidade de passe faz falta em zonas mais recuadas) e Josué (não tem velocidade para jogar na faixa) poderiam render mais noutras posições do centro do terreno.
O treinador vai-se justificando com as injustiças dos resultados e afirma que a sua equipa está a evoluir. A maioria dos comentadores tem dificuldade em reconhecer isso. O FC Porto, e seus adeptos, não se contentam com vitórias morais e o treinador está obrigado a ter outro tipo de comunicação, mobilizando as tropas e dando maior esperança a um clube com alma guerreira, algo que irá acabar por acontecer com o tempo.
Não é fácil treinar o campeão português. A pressão de vencer é enorme e ao mínimo deslize soa logo o alarme. Para lá das vitórias, é preciso jogar bem, para rentabilizar um negócio que consiste, além de valorizar jogadores desportiva e financeiramente, em levar mais pessoas aos estádios. E se o povo não se entusiasma com a qualidade do futebol, a contestação acaba por surgir.
Sei bem que o FC Porto não é gerido de fora para dentro. Vai proteger o seu treinador e dar-lhe condições para que possa melhorar o rendimento da equipa. A nível interno, nada está perdido. A equipa lidera a Liga e, apesar de tudo, continuará a disputar as competições europeias em fevereiro. E Paulo Fonseca, à medida que for conhecendo melhor o clube, acabará por ter uma melhor prestação: antes, durante e depois dos jogos.
O CRAQUE
Evolução confirmada
Titular indiscutível na equipa de Manuel Machado, o moçambicano Mexer tem sido um dos principais responsáveis pelo bom desempenho do Nacional neste campeonato. O central descoberto pelo Sporting em 2011, mas que nunca chegou a alinhar pelos leões, cresceu como jogador e apresenta agora níveis de maturidade e adaptação ao futebol europeu que fazem dele uma unidade imprescindível do conjunto madeirense. Forte na marcação e no jogo aéreo, é um defesa muito concentrado, rápido e que dá pouco espaço aos avançados. A fazer a sua melhor época em Portugal.
A JOGADA
Ingredientes de sucesso
Quando um treinador chega ao topo, tem a obrigação de dominar uma série de valências que o fazem ser melhor que os outros. É isso que o distingue e faz com que tenha resultados positivos. Olha-se para um treinador como José Mourinho e percebe-se que reúne forças na motivação dos atletas, na empatia que cria no grupo e na metodologia técnico-tática que consegue implementar. É preciso dominar vários tipos de conhecimento para chegar ao sucesso. Há vários estilos, mas talento e conhecimento são ingredientes essenciais.
A DÚVIDA
A má fase do Sp. Braga
Com uma prestação muito abaixo da esperada, o Braga surge neste momento num surpreendente nono lugar. O conjunto de Jesualdo Ferreira tarda em mostrar a qualidade que é reconhecida ao plantel. Com um afastamento precoce da Liga Europa, cinco derrotas consecutivas e um saldo de golos negativo no campeonato (9-12), os bracarenses estão num ciclo negativo que coincide com as eleições no clube. Até que ponto esta situação irá afetar a candidatura de António Salvador?
