As escolhas de Paulo Bento
Já estão escolhidos os 23 nomes que vão representar Portugal no próximo Campeonato do Mundo de Futebol, a partir do próximo mês.
Nunca há unanimidades neste tipo de convocatórias, mas as opções de Paulo Bento são soberanas e temos de acreditar e confiar que este grupo conseguirá ter sucesso no Brasil. A Seleção tem agora de trabalhar bem e preparar os grandes desafios que se aproximam.
As opções dos selecionadores nunca são fáceis. Felizmente, Portugal tem tido uma base de recrutamento alargada, que nem sempre existiu noutros tempos, o que nos permite ter um núcleo de 40-50 jogadores de média e alta qualidade com possibilidades de serem chamados à equipa nacional. Daí que chegar a uma lista de 23 atletas nunca é consensual e é manifestamente impossível “agradar a gregos e a troianos”.
Fazendo um exercício simples, sem olhar a lesões ou jogadores afastados da Seleção, é possível identificar um segundo grupo de 27 atletas (entre outros que possam faltar aqui) que teriam potencial para representar Portugal no Brasil: Anthony Lopes, Ricardo, Daniel Fernandes, Cédric, Antunes, Sílvio, Miguel Lopes, Rolando, Ricardo Carvalho, Paulo Oliveira, José Fonte, Custódio, Manuel Fernandes, Adrien, Tiago, André Gomes, Danny, Josué, João Mário, Ricardo Quaresma, Simão, Pizzi, Ivan Cavaleiro, Bebé, Edinho e Nélson Oliveira.
Sorte de um selecionador ter a possibilidade de escolher entre tantas boas opções. Podemos não ter jogadores de topo mundial para todas as posições, mas existem soluções com um nível competitivo elevado para todos os lugares. Paulo Bento fez a sua lista, reuniu o grupo que lhe dá mais confiança para atingir os objetivos propostos e são estes jogadores que apoiaremos.
Paulo Bento deu privilégio a uma maioria de jogadores que participou na fase de qualificação, juntando-lhe alguns elementos novos que têm na polivalência (que nestas competições dá muito jeito) uma mais-valia em relação a atletas que ficaram de fora. Sendo assim, juntou um grupo que já se conhece entre si, o que pode criar condições para um bom ambiente de trabalho no grupo, motivado em ter sucesso.
Neste momento, a preparação da Seleção é o mais importante. Para proporcionar as melhores condições físicas para os jogadores que tiveram uma época desgastante, dar ritmo aos que estiveram parados durante muito tempo por lesão e integrar os elementos mais novos, sendo igualmente decisivo que a equipa se consiga adaptar o mais rapidamente possível às condições, sobretudo climáticas, que irá encontrar no Brasil.
Sabendo que Paulo Bento gosta de fazer poucas alterações nos seus eleitos e que, por isso, já deverá ter um onze inicial quase definido, a próxima etapa passa por afinar a máquina e dar maior rotina aos processos de jogo, tendo também em conta as características dos adversários que vamos encontrar na fase de grupos: Alemanha, Estados Unidos e Gana, seleções com estilos diferentes, mas muito fortes fisicamente, que irão exigir do lado português uma grande capacidade e intensidade de jogo ao longo de 90 minutos.
Nomes como William Carvalho, Rafa e Éder poderão vir a ser as grandes revelações portuguesas para este Mundial’2014. Perante os desafios físicos que se adivinham, a robustez e a classe de William Carvalho poderão ser importantes. A imprevisibilidade e a qualidade técnica de Rafa fazem dele um joker para desbloquear jogos. Quanto a Éder, se estiver em boa forma, poderá finalmente explodir e mostrar o seu potencial.
O CRAQUE
O goleador da Madeira
Ao serviço do Marítimo, o brasileiro Derley foi um dos protagonistas do campeonato. A realizar a sua primeira época em Portugal, o avançado apontou 17 golos em 30 jogos, um registo excelente e que comprova a sua qualidade. Trata-se de um jogador forte nas desmarcações e com faro de golo, muito oportuno a encontrar o sítio certo para finalizar. Além disso, é raçudo e não desiste dos lances, pressionando os adversários. Aos 26 anos, encontra-se com a maturidade ideal para poder abraçar o desafio de uma equipa maior.
A JOGADA
Prémio para Marco Silva
Tal como vinha a ser noticiado, Marco Silva sucedeu a Leonardo Jardim como treinador do Sporting. Uma escolha que premeia um treinador alvo de diversos elogios pelo excelente trabalho realizado à frente do Estoril. Marco Silva destaca-se pela inteligência técnico-tática, estudando sempre as melhores estratégias para superar os adversários. É ambicioso e não virou a cara ao desafio de lutar pelo título na próxima época. Marco Silva é o próximo jovem técnico português a tentar a sua sorte num grande. Qualidade não lhe falta, restando saber como lidará com a pressão.
A DÚVIDA
Um novo gigante financeiro
Depois de Chelsea, Manchester City, PSG e Monaco, o Valencia parece ser o próximo emblema a juntar-se ao grupo de clubes detidos por milionários. Afogado em problemas financeiros, o clube valenciano acabou por ser adquirido por um magnata asiático, o mesmo que, ao que se diz, comprou os passes de André Gomes e Rodrigo ao Benfica. E, de repente, um clube habituado a vender as suas pérolas para sobreviver torna-se um comprador, prometendo mexer com o mercado neste defeso com aquisições milionárias. Estando Jorge Mendes associado a este investidor, será que algumas dessas compras serão feitas em Portugal?
