As maçãs podres e os violentos

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As maçãs podres e os violentos
As maçãs podres e os violentos

No último fim-de-semana, antes do jogo Atlético de Madrid e Deportivo da Corunha, aconteceu uma das maiores tragédias da história do futebol espanhol. Uma batalha campal perto do Estádio Vicente Calderón entre adeptos da claque Riazor Blues, do Deportivo da Corunha, e a claque Frente Atlético, que acabou com um adepto galego morto no rio Manzanares e vários feridos.

Já passou uma semana mas ainda não encontro palavras para explicar o que aconteceu. Como é possível que no século XXI existam pessoas tão más, capazes de fazer estas barbaridades...? É uma autêntica loucura. Custa-me entender que um ser humano possa fazer algo assim. Foi um dia negro para o mundo do futebol, e especialmente para o Atlético de Madrid. Neste momento só espero de coração que seja a última vez que aconteçam estes atos selvagens. Lamentavelmente isto não acontece só em Espanha, mas em quase todos os países onde existe paixão pelo futebol.

Cá em Portugal recordo-me de outros momentos críticos, como na final da Taça de Portugal em 1996, onde um very-light foi atirado para a zona de adeptos do Sporting e um ser humano perdeu a vida. Mais recentemente, há um mês, dois adeptos do Sporting foram a Guimarães e acabaram esfaqueados por adeptos do Vitória. Desta feita não terminou numa tragédia mais grave, mas eu pergunto: quando irá terminar tudo isto? Pessoalmente acho que estas claques tem que estar dentro dos estádios, mas sem os violentos. Com eles a animar, com a sua paixão, o jogo tem uma cor diferente. Estão sempre lá, nos bons e maus momentos.

Para qualquer jogador é uma alegria sentir o seu apoio, e acho que é muito importante separar o trigo do joio. Por exemplo, no caso da Frente Atlético, é uma comunidade de 4000 a 5000 pessoas juntas pela paixão pelo Atlético de Madrid. Uma espécie de mini-cidade com pessoas de todo tipo. Entre elas, há muita gente boa, gente menos boa, e gente má, como em qualquer lugar. Ao longo dos anos o clube tratou de limpar e expulsar dentro do possível as maçãs podres, que são a exceção, e que definitivamente não representam a sua claque nem o clube. Não podemos deixar que estas personagens que atuam como animais selvagens, e que no fundo são uma pequena minoria dentro de cada claque, sujem o nome do resto e também do clube.

As maçãs podres e os violentos de cada claque não podem voltar a entrar num estádio. Devem ser erradicados para sempre.  Soluções para que isto não volte a acontecer? Devemos aprender com a Inglaterra. O país onde nasceram esta classe de adeptos violentos, que recebem o famoso nome de "hooligans", conseguiu acabar com o fenómeno. Houve um antes e um depois que fez mudar tudo: a tragédia de Heysel em 1985, na final da Taça dos Campeões Europeus que colocou frente a frente Liverpool e Juventus. Os hooligans britânicos causaram distúrbios que deram lugar a uma avalancha massiva que acabou com a vida de 39 pessoas. Desde aquele dia, o governo inglês decidiu tomar uma série de medidas que foram bem sucedidas.

Basta ver qualquer jogo da Premier League para ouvir a característica paixão das claques inglesas, sempre a animar desde o primeiro até o ultimo minuto, mas sem violência. Estou convencido de que com o apoio e esforço do governo e das equipas, nós também seremos capazes de terminar com as maçãs podres. O futebol deve ser sempre uma festa e nunca uma tragédia.

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