As meias palavras de Costinha

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Para além de apreciar as suas qualidades futebolísticas - quando em forma é uma peça fulcral em qualquer equipa, Selecção incluída, emprestando-lhe segurança, sentido posicional, dinâmica e experiência -, sempre escutei com interesse as declarações de Costinha. É que, sem desprimor para os companheiros de profissão, trata-se de um dos futebolistas que melhor sabe expressar as suas ideias. Mais: tem opinião própria sobre os assuntos e diz o que pensa e sente, recusando-se a alinhar pelo politicamente correcto.

Mas, naturalmente, nem sempre posso concordar com as suas posições. Foi o que sucedeu na conferência de imprensa em Marienfeld. Costinha, ao seu estilo, foi directo e incisivo, tecendo comentários "picantes".

Entre outras coisas, o médio disse que, agora, os clubes já não mandavam na Selecção. Por outras palavras, deu a entender que antes (não se sabe bem quando, embora se possa deduzir que terá sido até à chegada de Scolari) eram os clubes que punham e dispunham. Acredito, muito sinceramente, que Costinha tenha razão. Mas, sendo ele tão frontal, não creio que tivesse estado bem ao "mostrar o bolo" para, de seguida, se esquecer de dizer onde o "podíamos comer..."

Vejamos, então, o seguinte:

- Alguns dos convocados antes da "era Scolari chegaram à Selecção por pressão dos clubes?

- Que clubes, de que forma, e sobre quem exerciam essa pressão?

- Costinha, sabendo de tudo isso, nunca denunciou o caso, nem teve vontade de prescindir de representar uma Selecção aparentemente manipulável?

- Como é que as coisas se alteraram quando, por exemplo, o líder federativo (bem como outros dirigentes e funcionários) é o mesmo há muito tempo? Estava Madaíl e seus pares ligado a esse esquema que hoje revelou?

Estas são só algumas questões que eu (e não devo ser o único...) gostava de ver esclarecidas, da mesma forma que também ficaria satisfeito de saber quem são os adversários da Selecção que estão na bancada e até fora dela, conforme Costinha descreveu.

Não concordar com a convocatória do seleccionador; com o onze escolhido para cada jogo; com a táctica utilizada ou mesmo com as substituições efectuadas não tornam ninguém, automaticamente, num adversário da Selecção. Ter opinião e fazer questão de a assumir, sem faltar ao respeito a ninguém, é um sinal de liberdade. E Costinha, ao longo dos tempos, tem feito questão de demonstrar que assina esta linha de conduta.

PS: Já agora aproveito a ocasião, até por ter lido há pouco a enésima notícia sobre o afastamento de Vítor Baía da Selecção, para deixar mais uma questão no ar. O guarda-redes (tal como João Pinto ou Abel Xavier) foi mesmo vetado na equipa nacional? Por quem? Devido a quê?

Apreciava imenso que alguém elucidasse o País sobre este assunto tão misterioso, pois enquanto o silêncio imperar (de Madaíl a Scolari, passando pelos companheiros de Selecção), todas as especulações são possíveis.

Enfim, pode ser que um dia alguém se disponha a falar. Talvez Costinha...

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