Assobiar para o lado

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Assobiar para o lado

Por esta altura, Bruno de Carvalho já terá percebido que os seus "ataques" ao FC Porto têm mais eco e ressonância no panorama mediático do que as ocasiões em que tem o Benfica como alvo. Só assim se explica que ninguém tenha querido averiguar a veracidade ou não das graves acusações que foram proferidas recentemente pelo presidente do Sporting.

A não ser que Bruno de Carvalho esteja a ser vítima da fábula de "Pedro e o Lobo" (por coincidência apenas, houve um Lobo que prometeu centralizar o poder do futebol em Lisboa), chegando a um ponto em que já ninguém liga ao que diz. Devo desde já dizer que não acredito nesta indiferença. As palavras do presidente de um dos maiores clubes portugueses, seja ele verde, vermelho ou azul, devem ser sempre levadas em linha de conta. E estas foram graves demais para passarem despercebidas.

Compreendo que, por motivos editoriais, comerciais ou por qualquer outra ordem de razão, a comunicação social tenda a filtrar a mensagem e seja um assunto que, no seu entender, não tenha interesse para os seus públicos. Já não consigo entender que, perante uma denúncia de manipulação de resultados desportivos, a Liga de Clubes, a Federação Portuguesa de Futebol ou até o Ministério Público assistam impávidos e serenos, sem qualquer interesse de apurar o que realmente terá acontecido nesta história.

Já não é a primeira vez que Bruno de Carvalho fala sobre isto. Em novembro de 2013, depois de um escaldante Benfica-Sporting para a Taça de Portugal que as águias venceram por 4-3, o líder leonino deixou a seguinte frase enigmática: "Há razões para cada vez mais eu acreditar que alianças só no dedo e com a minha mulher. O que quero dizer com isso? Quero dizer aquilo que todos viram."

Daí que, e agora com novos elementos, seria importante saber mais sobre esta proposta de aliança que ia alternar os campeonatos entre Sporting e Benfica. E por outro lado, por que razão só agora é que o presidente sportinguista veio falar sobre isto e não denunciou o caso há mais tempo? E porque havia o Benfica, no caso Luís Filipe Vieira, de propor um esquema destes a um rival? E no caso de ser mentira, porque não se defende o Benfica destas acusações que colocam em causa a sua integridade e o bom nome do seu presidente?

Tudo isto acontece numa altura em que a Liga parece querer encerrar a sua Comissão de Instrução e Inquéritos, tão rápida a agir noutras alturas, para casos que só fizeram perder tempo, mas que perante uma grave afirmação nem sequer se dá ao trabalho de abrir uma investigação para percebermos se se trata de um caso de difamação ou alegada viciação de resultados. Porém, com toda a gente a assobiar para o lado parece que esta montanha vai, mais uma vez, parir um rato.

Nota 1: Parte deste conflito entre Benfica e Sporting teve origem nos maus comportamentos das claques. Algumas delas vivem na ilegalidade e, mesmo assim, contam com o apoio dos clubes. As soluções para um futebol saudável e transparente também passam por aqui: legalizar e responsabilizar as claques, apertar o cerco à violência e penalizar os prevaricadores. Basta os clubes quererem.

Nota 2: Rui Patrício é um excelente guarda-redes. Todos têm o direito a errar e até os grandes mitos das balizas mundiais tiveram dias menos bons. E em Portugal, não temos assim tantos guarda-redes portugueses com a qualidade do guardião do Sporting. O humor também faz parte do desporto e a tolerância deve sempre existir nestes casos. Mas dispensam-se as piadas de mau gosto.

Talento em bruto

As exibições do jovem guarda-redes Raul Gudiño têm estado em destaque. Os dois pénaltis defendidos na Liga Jovem da UEFA ajudaram o FC Porto a eliminar o Real Madrid e foram a mais recente façanha do mexicano. É um guardião bastante alto (1,95m), elástico entre os postes e forte nas saídas, capaz de defesas "impossíveis". Ainda com idade de júnior, este vice-campeão mundial de sub-17 tem ganho minutos na 2.ª Liga e é um talento em bruto com enorme potencial. Está emprestado no Dragão, mas a continuar assim, a estadia será certamente prolongada.

Gilistas mais fortes

O Gil Vicente fechou a primeira volta em último lugar com apenas 9 pontos. Era visível que a equipa de José Mota necessitava de fazer ajustes, sobretudo na defesa, e por isso não surpreendeu a vinda de dois centrais experientes (Berger e Cadu), capazes de trazer maior tranquilidade aos gilistas. E nos 4 jogos da segunda volta, a equipa minhota ainda não perdeu e já conquistou 8 pontos (quase tantos como em 17 jogos anteriores), saindo dos lugares de descida. Um facto positivo e que traz maior competitividade às equipas do fundo da tabela.

Apostas: solução ou problema?

A Liga espanhola decidiu denunciar o jogo entre o Espanhol e o Osasuna, do ano passado, por suspeita de combinação de resultados. Ao que tudo indica, foram descobertos quase 2,5 milhões de euros por justificar nos gastos do Osasuna e um movimento de apostas a rondar os 250 mil euros que implicará jogadores das duas equipas. Mas há mais jogos a ser investigados, situação que poderá levar à descida de divisão dos clubes visados. Será este um caso isolado? As apostas desportivas vêm trazer soluções financeiras ou problemas ao futebol?

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