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Quis o destino que a Taça de Portugal nos servisse, ainda numa fase precoce da prova, dois jogos que têm tudo para ser interessantes: um dérbi de Lisboa e a visita do FC Porto à casa do detentor do troféu. Como tudo tem de ser resolvido em 90 ou 120 minutos, estão reunidos os ingredientes certos para assistirmos a bons espetáculos de futebol, algo que tem escasseado nas partidas da Liga.

Todos os jogadores gostam de participar nos grandes jogos. O rendimento é sempre diferente nestas alturas. É aqui que o fator psicológico entra em campo e os jogadores acabam por dar uma resposta maior do que se esperava. Por isso mesmo, nada como um Benfica-Sporting para colocar os índices de motivação dos atletas de ambas as equipas em alta.

À questão anímica junta-se o interesse reforçado que os dois clubes lisboetas terão em vencer a Taça deste ano. Há várias épocas que águias e leões não saem vitoriosos da final do Jamor. A última conquista do Benfica remonta a 2004, sendo que o Sporting não ganha o troféu há cinco anos. Motivo mais do que suficiente para levar os dois clubes a quererem acabar com este jejum e voltar a figurar na galeria de vencedores da prova.

Mas a partir de sábado só um poderá continuar a sonhar com a vitória. O Benfica parte com um ligeiro favoritismo, podendo tirar partido do fator casa. A história recente diz-nos que assim tem acontecido nos dérbis da Luz, onde o Sporting já não vence desde 2006. Mas será muito renhido, como comprova a última vez que as equipas se defrontaram na Luz para uma eliminatória da Taça, num eletrizante 3-3, decidido nos penáltis a favor dos encarnados.

Perspetiva-se um jogo disputado. Quem exercer o controlo do meio campo acabará por ter maiores possibilidades de vencer. Em processo de retoma, o Benfica está em crescendo de forma e parece voltar ao futebol alegre das épocas anteriores. A grande exibição na Grécia, apesar da infeliz derrota, é prova disso. Por seu lado, o Sporting está a anos-luz do passado recente, consolidou princípios de jogo e é um conjunto aguerrido e bem montado taticamente, capaz de marcar golos e ganhar em qualquer campo.

Na Cidade Berço, o V. Guimarães recebe um FC Porto que tarda em definir a sua identidade. A imagem de uma equipa com segurança defensiva, controladora e com profundidade no ataque, esvazia-se de jogo para jogo. Só a espaços é que se revela e nem sempre com uma consistência que dure 90 minutos. Até ao momento, os números mostram que este FC Porto evidencia maior permeabilidade defensiva e marca menos golos. As desatenções na retaguarda e a falta de desequilibradores na frente são questões a corrigir.

O jogo de domingo poderá servir aos dragões para melhorar a imagem e qualidade do futebol que tem exibido, numa prova em que chegar à final também é uma meta. É bom não esquecer que o FC Porto não visita o Jamor há dois anos, algo pouco habitual no seu passado recente. Quanto aos vimaranenses, falta saber como se vão apresentar fisicamente depois do jogo de ontem para a Liga Europa, mas será certamente uma equipa irreverente e determinada em defender o troféu.

Numa época em que o futebol da Liga não tem sido de encher o olho, que nos valha a Taça de Portugal para assistirmos a espetáculos dignos de valer o preço do bilhete. Começa a ser tempo de ver as equipas a produzir mais, e nada como dois jogos importantes e decisivos para que os principais emblemas nacionais possam despertar.

O CRAQUE

Promessa sadina

Em época de estreia na Liga portuguesa, o jovem Rúben Vezo precisou de poucos jogos para logo mostrar a sua qualidade. Bastaram oito partidas no campeonato para este promissor defesa-central do V. Setúbal entrar no radar dos três grandes e de outros emblemas europeus. Ao que tudo indica, Valência será o seu destino. Com apenas 19 anos, Rúben já mostra uma grande maturidade dentro de campo, destacando-se pela sua rapidez e capacidade de antecipação. As suas características físicas fazem lembrar Jorge Andrade, mas terá ainda muito caminho a percorrer para atingir o patamar do antigo internacional português.

A JOGADA

Um caminho inevitável

Ainda a propósito de Rúben Vezo, a sua transferência para Espanha vem provar, mais uma vez, que os clubes portugueses só têm a ganhar ao aproveitarem os jovens talentos da sua formação. Será um encaixe financeiro muito importante para o V. Setúbal, dadas as enormes dificuldades de tesouraria que o clube tem vindo a sentir. A exemplo do que Sporting, V. Guimarães ou Belenenses já começaram a fazer, com bons resultados desportivos e financeiros, a formação e valorização de talentos é um caminho inevitável para a maioria dos clubes nacionais.

A DÚVIDA

A prestação europeia

Não será a curto prazo, mas tudo indica que Portugal vai pagar caro, em termos de ranking da UEFA, a ausência de Sporting e Sp. Braga nas competições europeias deste ano. As prestações abaixo do esperado de FC Porto e Benfica na Liga dos Campeões não estão a compensar a inexperiência de Estoril, Paços de Ferreira e V. Guimarães na Liga Europa. E os pontos escasseiam. Esta época, Portugal nem no top 12 do ranking se encontra e está ao nível de países como Bulgária, Croácia ou Israel. Tal como estão as coisas, a eventual passagem de águias e dragões para a Liga Europa não seria um mal menor?

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