Opinião de Vasco Lourenço

Autoridade moral

No jogo de futebol Real /Sporting B, o árbitro Jorge Sousa salientou-se pelas palavras utilizadas num diálogo com o guarda-redes sportinguista, o jovem Vladimir Stojkovic, a quem mimoseou com o mais puro vernáculo português. Sem que se possa afirmar haver relação directa com isso, o jovem guarda-redes foi batido na sequência do livre que motivou a troca de palavras (por sinal, o único golo do Real). Nada nos pode garantir que o episódio não tenha perturbado o jovem maltratado... Já no fim desse desafio – quando a equipa sportinguista marcou o golo que lhe deu a vitória – um outro jovem jogador do Sporting B foi expulso pelo árbitro Jorge Sousa.

A justificação foi a maneira muito expansiva, com a utilização de gestos obscenos, como Abdu Conté festejou o golo e a vitória da sua equipa (mesmo que, como rezam as crónicas, a maioria dos adeptos presentes se não tivesse apercebido das razões da expulsão). Nada serviu para o árbitrocompreender a atitude do prevaricador, nem o facto de o jogo ser decidido precisamente no último lance do desafio, nem a tensão criada durante o jogo, nem – o mais importante – o exemplo que o próprio árbitro dera aos jogadores. Naturalmente, não irei tentar desculpabilizar o jovem jogador do Sporting B. O que considero importante realçar é a enorme incongruência , no procedimento do árbitro. O futebol tem uma linguagem própria, dentro do campo não se canta ópera, proclamam alguns, que procuram branquear a atitude de Jorge Sousa. Bem, se assim é, se o próprio assim pensa, como parece ter opinado no diplomático telefonema com que tentou justificar-se junto do treinador da equipa sportinguista, porque não utilizou esse critério, para compreender e não punir drasticamente um jovem jogador, que não conteve a emoção , ao ver a sua equipa tornar-se vencedora, nos últimos momentos do desafio?

Que autoridade moraltinha o árbitro, depois da sua escandalosa acção, para punir um jovem inexperiente, provavelmente influenciado pela anterior atitude arbitral ( tipo ‘se ele faz, também posso fazer’), por uma postura semelhante à sua, ainda que menos gravosa? Pessoalmente, considero a prepotência uma das piores características de alguns seres humanos. E, por experiência própria, sei que os que têm menos poder, mas que na sua ‘freguesia’ são reis, são sempre os piores... O futebol dá-nos exemplos constantes disso. Não é raro assistirmos ao facto de serem os árbitros menos competentes os que reagem pior à mínima contestação das suas decisões, por parte dos jogadores. Muitas vezes assistimos à exibição de cartões amarelos, cartões que haviam ficado no bolso apesar de faltas grosseiras, face a um simples protesto de decisões suas. Lamentavelmente, não poucas vezes, decisões erradas. Isto porque a autoridade do árbitro não pode ser posta em causa!...

Resultado, como as decisões dos árbitros ‘são lei’, são irrevogáveis (não estamos a falar de Paulo Portas...), o jogador expulso vai ser castigado. Interessa lá saber se foi bem expulso, interessa lá saber de justificações para o procedimento incorrecto que se seguiu – que o diga o Cristiano Ronaldo – a indisciplina tem de ser punida exemplarmente!
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