Baralhar e dar de novo

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Baralhar e dar de novo
Baralhar e dar de novo

Com a Liga 2013/14 a terminar e o campeão apurado, já se projeta o próximo ano futebolístico. Do ponto de vista financeiro esta foi uma época de reflexão e dará ensinamentos para o futuro. Desportivamente, entre os clichés pouco fundamentados do “fim de ciclo” e da “nova era”, a verdade é que a nova temporada promete ser mais equilibrada e competitiva.

Primeiro ponto: o fair play financeiro da UEFA vai obrigar os clubes a ajustarem orçamentos, não podendo gastar mais do que recebem. Quem se adaptar rapidamente a esta realidade, colherá dividendos. E se dúvidas havia, o Sporting provou que é possível fazer mais com menos, tendo reduzido o orçamento e aumentado o rendimento desportivo.

Em contraponto, um grande orçamento nem sempre é sinónimo de grande equipa. Aqui, o planeamento e a gestão dos equilíbrios do plantel são uma questão vital, que comprometeu os objetivos do FC Porto nesta temporada, a par da escolha do treinador, quebrando o mito que qualquer técnico consegue ser campeão no Dragão. Não é bem assim, e, como se percebe, será um importante dossiê a decidir pela SAD nos próximos tempos.

Também o Benfica terá mais cuidados financeiros na próxima época. Não é por acaso que a formação passou a ser aposta, uma vez que os orçamentos do clube têm disparado para valores quase incomportáveis. Esta temporada, embora culminando em sucesso, é exemplo disso. Mantendo a equipa do ano anterior, e investindo em novos reforços, criando um plantel superior à concorrência, as águias chegaram a janeiro a precisar de equilibrar contas, sendo forçadas a vender Matic, Rodrigo e André Gomes, e contraindo um empréstimo obrigacionista de 50 milhões de euros, para fazer face às despesas. E em 2014/15, tal como acontece com o FC Porto, a venda de jogadores poderá voltar a ser inevitável.

Por força das necessidades financeiras, bem que podemos dizer que a próxima época será uma espécie de “baralhar as cartas e dar de novo”, isto é, o modo como os clubes se movimentarem no mercado será determinante para saber quem leva vantagem.

No Sporting, um dos desafios passa por reforçar o plantel com mais três ou quatro peças de qualidade, possivelmente com o dinheiro da venda de um ativo. Além disso, agora que o plantel tem estatuto reforçado com a presença na Liga dos Campeões, as renovações de contrato com elementos importantes vão acabar por surgir, como já se começa a verificar.

Com o objetivo de voltar a ser campeão, o FC Porto terá de remodelar o plantel. Não acredito em revoluções, mas sim na aposta em jogadores que entrem diretamente para o núcleo duro de 14/15 atletas mais utilizados, alargando o leque de opções à atual base existente. Neste processo, a venda de jogadores é também a única via para financiar a remodelação e aproximar o clube do nível a que nos habituou.

Quanto ao Benfica, e depois de uma época memorável, falta saber como resistirá à cobiça de emblemas europeus nos seus jogadores e até que ponto a redução de despesas influenciará as suas movimentações, sem comprometer as ambições desportivas. A venda de um ou dois jogadores parece provável, para que as dificuldades financeiras não voltem a acontecer.

Com FC Porto e Sporting a prometerem estar mais fortes, o Benfica terá uma concorrência bem mais à altura, num campeonato, novamente a 18 clubes, onde equipas como Braga e Estoril podem muito bem voltar a ser outsiders na luta pelos lugares cimeiros.

O CRAQUE

Segurança na Choupana

A cumprir a segunda época na Liga, o central Miguel Rodrigues, de 21 anos, é dos elementos mais utilizados por Manuel Machado no Nacional, que tem uma das melhores defesas do campeonato. Titularíssimo nos madeirenses, o jovem conta com uma extensa lista de pretendentes. Acerto nas marcações e posicionamento, boa antecipação e jogo aéreo, são características suas que trazem segurança à defesa do Nacional. Ainda comete alguns erros próprios da idade, mas, amadurecendo o seu jogo, poderá vir a ser um central acima da média.

A JOGADA

Principal reforço

Depois do excelente trabalho realizado esta temporada, no qual conseguiu voltar a fazer do Sporting uma equipa competitiva, a eventual renovação de contrato de Leonardo Jardim com os leões tem sido um dos temas do momento. A confirmar-se a continuidade do técnico em Alvalade, que parece estar a despertar a cobiça de alguns emblemas europeus, este será mesmo o principal reforço do Sporting para a próxima época, podendo prosseguir com o projeto de crescimento da equipa e valorização de jogadores leoninos, tendo desta vez a conquista de títulos como objetivo.

A DÚVIDA

Lobo em pele de cordeiro

Tal como se previa, o processo aberto pelo Comité de Disciplina da UEFA, por queixa da Juventus por suposta agressão de Enzo Pérez a Chiellini, acabou por ser arquivado e permitiu que o argentino jogasse ontem. A montanha pariu um rato, não sendo mais do que um “mind game” dos italianos. Do lado de cá, surgiram logo as insinuações das “queixinhas” e das preferências da UEFA. O Benfica assumiu aqui o papel de lobo em pele de cordeiro. Será que já esqueceu a participação disciplinar que fez junto da UEFA com o intuito de excluir o FC Porto da Liga dos Campeões em 2008?

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