Basta senhor Blatter!
Joseph Blatter, o presidente da FIFA, cada vez que abre a boca só gera confusão. Mais uma vez foi infeliz com as declarações que fez na última segunda-feira em Moscovo, na apresentação do logótipo para o Mundial da Rússia que se irá disputar em 2018. As primeiras declarações que chegaram a Espanha e Portugal do máximo responsável do futebol mundial falavam sobre quem este queria que vencesse a Bola de Ouro. O escolhido era o guarda-redes alemão do Bayern Munique, Manuel Neuer. Foi um choque total e até Carlo Ancelotti, treinador do Real Madrid, disse ser impossível fechar a boca do presidente da FIFA e defendeu Cristiano Ronaldo, afirmando que por tudo o que fez este ano, ganhará a Bola de Ouro. Pessoalmente senti ainda mais raiva e, como muitos portugueses, voltei a recordar as horríveis e humilhantes declarações que fez no ano passado.
“O outro parece um comandante, o outro gasta mais dinheiro em cabeleireiros…” Hoje ainda não consigo dar crédito à palhaçada que protagonizou Joseph Blatter naquele dia. Foi uma tremenda falta de respeito para com o Cristiano Ronaldo e obviamente para com Portugal mas, sobretudo, foi um insulto ao futebol por parte do responsável da FIFA, aquele que deveria comportar-se corretamente e dar sempre o exemplo como máximo responsável do futebol mundial.
Mais tarde chegou da Rússia outra versão em que apenas se referia ao último Mundial e que Manuel Neuer merecia ter ganho o prémio de melhor jogador da competição realizada no Brasil, em vez de Lionel Messi. Ancelotti, dois dias depois, disse que então estava de acordo, defendendo que também na opinião dele o guarda-redes alemão deveria ter sido eleito o melhor do Mundial. Ainda assim, eu não confio no Blatter e acho que estas declarações têm uma segunda intenção. Mais uma vez o presidente da FIFA vai tentar tudo para prejudicar o Cristiano. Porque não defendeu a sua ideia no momento e só a diz agora, três meses depois da final do Mundial? Porquê neste momento em que estamos a tão pouco tempo da entrega da Bola de Ouro? Ele e toda a gente sabem que se não houver outra injustiça como em 2012, o Cristiano, por tudo o que conquistou o ano passado e pelo que está a fazer este ano, merece mais do que ninguém a Bola de Ouro. Só ele a pode ganhar. Blatter, como está à vista de todos, detesta o Cristiano Ronaldo e não tenho dúvidas de que tudo fará para que o nosso menino não volte a receber o prémio de melhor jogador do Mundo. A partir de agora temos de estar muito atentos a todos os movimentos deste senhor. Hoje volto a dizer praticamente o mesmo que disse há dez meses, quando fui contactado por vários meios de comunicação portugueses e espanhóis para dar a minha opinião sobre as declarações do suíço: o senhor Blatter já tem 78 anos, dos quais 39 passados dentro da estrutura FIFA. É muito tempo e todos nós um dia temos de dizer adeus. Certamente que já não deve necessitar do futebol para nada e chegou o momento de desfrutar tranquilamente da reforma nos Alpes suíços ou nalguma ilha paradisíaca. Onde quiser, exceto em Portugal. Pare de fazer mal a este desporto tão bonito e deixe de brincar com melhor jogador do Mundo. Já basta, senhor Blatter!
GRANDE CALDEIRADA
Prémios de La Liga
Na segunda-feira foi a gala da Liga Profissional de Futebol Espanhol e penso que não houve jogo limpo na entrega de prémios. Não é possível que a equipa campeã, o Atlético Madrid, não tenha um único jogador entre os melhores. A “afición colchonera”, na qual eu me incluo, está toda a pedir que sejam públicas as votações dos três capitães de cada equipa. Por exemplo, o Keylor Navas foi considerado o melhor guarda-redes do ano, e sem dúvida que fez uma grande época defendendo a baliza do Levante, mas... por favor! O Courtois foi muito superior e acabou por ser crucial para a conquista de La Liga. Da mesma maneira, o Koke fez uma época incrível e tinha de ter ganho o prémio de melhor médio-ofensivo. O Miranda e o Godín estiveram soberbos durante todo o ano. O uruguaio, que fez o golo que deu o título ao Atlético, nem sequer estava nomeado para melhor defesa e acabou por ganhar o Sergio Ramos, enquanto na Liga o Miranda esteve muito melhor do que o jogador andaluz. O prémio de melhor médio-defensivo foi ganho por Modric, mas no campeonato o grande líder e capitão do Atlético, Gabi, foi superior ao croata. O melhor avançado só podia ganhar o Cristiano, mas se ganhasse o Diego Costa não seria nenhuma surpresa, pois fez uma época incrível. Por pouco, nem o “Cholo” Simeone tinha sido o melhor treinador do ano. A única solução para acabar com esta caldeirada é La Liga nos próximos dias dizer as votações dos capitães, e só assim deixo de acreditar na injustiça que fizeram ao Atlético Madrid.
DO MEU ÁLBUM
Desilusão
Meti-me na pele dos jogadores nomeados do Atlético Madrid. Não tenho a mínima dúvida que passaram uma noite horrível. Nenhum deles ganhou o prémio de melhor jogador da sua posição. É a primeira vez que acontece algo assim: serem campeões de La Liga e nenhum estar entre os melhores. No meu tempo os prémios eram dados pela federação, ainda não existia La Liga. Estive várias vezes nomeado quando joguei no campeonato espanhol, mas só consegui ganhar um ano o prémio de melhor estrangeiro. Mas, ainda assim, houve pelo menos dois anos em que merecia ser o melhor de La Liga e por isso entendo a deceção dos jogadores e aficionados colchoneros.
NÓS LÁ FORA
Injustiça com Jorge Jesus
Jesus trabalha em Portugal mas esta injusta decisão vem lá de fora. Esta semana saiu a lista dos dez treinadores nomeados para o prémio FIFA de melhor do Mundo. Ao ver a lista, encontro grandes nomes como José Mourinho, Diego Simeone ou Pep Guardiola, mas qual o meu espanto quando nos dez melhores não encontro o Jorge Jesus. Injusto, não por ser português ou por ser meu amigo, mas por tudo o que tem feito. Campeão nacional, vencedor da Taça de Portugal e da Taça da Liga. Pelo segundo ano consecutivo foi à final da Liga Europa, eliminando equipas como por exemplo a poderosa Juventus de António Conte (que está nomeado). Por tudo o que tem feito no Benfica era, na minha opinião, obrigatório que o Jesus estivesse nos dez nomeados. O problema é que daqueles lados tudo é possível. No ano passado, o Simeone também não estava nomeado. O grande mistério continua: quem será o artista que escolhe os dez treinadores nomeados?
