Bem-vindos mas nem sempre
Sempre que a Selecção Nacional joga e sobretudo quando os resultados não são os mais desejados, volta ao debate público a naturalização dos jogadores e a possibilidade que essa condição lhes dá de representar selecções que não são as do seu país de nascimento.
O que se discute infelizmente não é uma questão de competência (jurídica, cívica, profissional) mas de pudor. Desenterram-se velhos fantasmas, como o orgulho nacional, esquecendo-se que as pessoas mais do que de onde são, são de onde estão.
Um estudo divulgado a 11 de Setembro pelo Instituto Nacional de Estatística confirma o abrandamento do crescimento populacional e a tendência de envelhecimento demográfico. Desde 1918 que o saldo não era negativo mas só não é pior por causa dos imigrantes. Para estas contas até são benvindos mas na hora de oportunidades iguais a história muda de figura.
A Selecção Nacional tem dois jogadores naturalizados (Pepe e Deco) e faz todo o sentido que dê oportunidades a outros (seja Liedson ou não). Também são portugueses (o avançado do Sporting está em vias de o ser). O Estado português garante-lhes (ou pelo menos tem a obrigação de procurar fazer) os mesmos direitos e esses direitos devem aplicar-se ao desporto.
É óbvio que convém evitar fraudes como as de a Geórgia nos Jogos Olímpicos - brasileiros que só foram uma vez ao país e foram "recrutados" para ganhar medalhas. Mas não é destas vigarices que estamos a falar.
