Benfica, Europa e Portugal
Não sou pelas vitórias morais. Aliás, gostava de saber quem inventou tal expressão... Mas, a verdade é que não me parece que o Benfica tenha razões para sair cabisbaixo da aventura europeia. Deixou pelo caminho equipas teoricamente mais fortes e caiu aos pés, muito provavelmente, da melhor formação do Velho Continente e, por extensão, uma das melhores do Mundo.
O Barcelona merece, fazendo a análise dos dois jogos, o apuramento para as meias-finais. Jogou mais e melhor; tem soluções de outro nível; criou um ror de oportunidades (mais na Luz que em casa, curiosamente) e, fundamentalmente, marcou golos, algo que os encarnados não conseguiram em 180 minutos. Ainda assim, Simão teve nos pés o hipotético 1-1 e, quem sabe, a história seria diferente...
Para além dos euros embolsados, as águias reconquistaram o respeito dos grandes emblemas do futebol europeu. E também reencontraram o seu próprio caminho, pois há muito que o Benfica não assinava um desempenho de qualidade nas provas internacionais. Aliás, num passado recente, até falharam duas presenças nas competições uefeiras.
Não se sabe onde é que as águias vão terminar a Liga. Matematicamente tudo é possível, embora a lógica diga que o terceiro lugar será a posição mais óbvia. Mas, independentemente de ganhar o acesso directo à próxima edição da Liga dos Campeões, de ter de entrar na terceira pré-eliminatória ou de ir mesmo para a Taça UEFA, cabe aos dirigentes reforçar a aposta europeia. Mas isso só será possível se, atempadamente, planearem a época 2006/07. Há que construir um bloco forte e coeso, mesmo sabendo-se que algumas das principais figuras (com o capitão Simão à cabeça) podem mudar de ares. Reforços em cima do joelho, a meio da temporada, é que não resolvem nada...
Depois do FC Porto ter surpreendido os colossos europeus em dois anos seguidos e de Boavista e Sporting também terem estado perto do céu na Taça UEFA, o Benfica mostrou que Portugal, pese o actual "status" do futebol internacional (desenhado para favorecer, desportiva e economicamente, os clubes das nações que dominam os centros de decisão), continua a ser um país capaz de ombrear com representantes de Itália, Espanha ou Inglaterra.
Acredito que para o ano os emblemas portugueses vão voltar a estar em grande na Europa. E, se calhar, quando se chegar às fases de decisão, talvez não seja só uma equipa a estar na luta. Há potencial por aqui para serem mais. Vamos esperar para ver...
