Benfica europeu

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Para lá da óbvia desilusão de uma final perdida para o Sevilha na lotaria dos penáltis, os adeptos do Benfica devem estar orgulhosos do trabalho realizado pela sua equipa. Nada retira o brilho de uma campanha sem derrotas na Liga Europa, de um grupo que deu tudo o que tinha para vencer e que nunca foi inferior aos fortes adversários que teve pela frente (Newcastle, Tottenham, AZ Alkmaar, Juventus e Sevilha). Honra aos vencidos, que também mereciam a glória dos vencedores.

Fruto de algumas ausências forçadas (Enzo Pérez fez muita falta para dar dinâmica a um meio-campo que não esteve feliz no processo de construção) e do desgaste físico acumulado, o Benfica não se apresentou ao nível alto que já lhe vimos, mas fez mais do que o suficiente para ganhar a Liga Europa. Teve mais remates, cantos, oportunidades de golo e controlo da bola, e só uma finalização muito perdulária impediu que o jogo não fosse resolvido durante os 90 minutos.

Nesta altura, é digno de registo assinalar que o Benfica, nos últimos 10 anos, esteve presente em duas finais da Liga Europa e também numa meia-final e dois quartos-de-final da mesma competição. A isto ainda se juntam as duas temporadas (2005/06 e 2011/12) em que as águias alcançaram os quartos- de-final da Liga dos Campeões. O balanço é, como se pode confirmar, extremamente positivo e revela uma regularidade de boas prestações nas competições da UEFA que, em tempos recentes, não acontecia.

OBenfica tem vindo a recuperar a chama europeia que parecia perdida. Isto passou muito pelo fortalecimento sustentado do plantel encarnado ao longo dos últimos anos. Luís Filipe Vieira tem vindo a criar equipas cada vez mais competitivas, num processo de crescimento que culminou agora em duas finais da Liga Europa consecutivas, por força também do trabalho de Jorge Jesus, um treinador capaz de potenciar ao máximo a qualidade individual dos seus jogadores, colocando depois esses atributos ao serviço de um coletivo muito forte e dinâmico.

Neste momento, o Benfica atravessa um ciclo de 11 jogos sem perder nas competições europeias, um registo excelente e que confirma o bom momento que os encarnados tiveram na segunda metade desta época. Sinais que mostram claramente que, a este Benfica europeu, só lhe faltará transportar a regularidade de bons resultados para a Liga dos Campeões.

Este é o próximo desafio, e o salto qualitativo que falta cumprir às águias durante as próximas temporadas. Além de desportivamente ser sempre um grande objetivo dos clubes que nela participam, os prémios monetários da Champions assumem igualmente uma importância enorme para as finanças dos clubes portugueses, pelo que passar a fase de grupos e chegar, pelo menos, aos oitavos-de-final da competição com maior frequência torna-se um imperativo para Benfica, FC Porto e Sporting.

Durante alguns anos, o FC Porto esteve sempre sozinho na alta-roda europeia, sendo a única equipa portuguesa a conseguir chegar longe nas provas da UEFA e aquela que mais pontos foi conquistando para o nosso ranking, o que permitiu o acesso de mais equipas nacionais à Liga dos Campeões. É muito importante que esta regularidade europeia, com boas prestações lusas, se tenha expandido e possa estender ainda mais a outros clubes, já que trará benefícios evidentes ao nosso país, que no próximo ano, surgirá à frente da Itália (quem diria?), no 4.º lugar do ranking da UEFA.

O CRAQUE

Herói e vilão em Turim

Beto foi herói e vilão em Turim. O guarda-redes português foi a figura principal da final da Liga Europa e colocou a equipa sevilhana em festa ao defender duas grandes penalidades, negando assim a possibilidade de uma equipa do seu país levantar o troféu. Ao longo de todo o jogo, Beto esteve em excelente plano, tendo efetuado uma série de defesas decisivas. A frieza entre os postes, assim como a agilidade e o bom jogo de pés, fazem dele um dos melhores guardiões nacionais. Mais uma vez voltou a confirmar que é um especialista a defender penáltis, e que jeito isso pode dar a Portugal no próximo Mundial.

A JOGADA

Regra sem sentido

A UEFA (Collina na imagem) pretende propor ao International Board uma nova regra no futebol que obrigará à exclusão temporária do jogador faltoso em caso de lesão do seu adversário. Assim, o jogador que cometer a falta terá de sair de campo e só regressará assim que o jogador lesionado regressar ao jogo. É um caminho perigoso, que pode abrir portas a problemas como a simulação de lesões para colocar adversários fora de jogo e queimar tempo. E se a falta grave for cometida por um guarda-redes? Ficaria uma equipa temporariamente sem o seu guardião? Um assunto para acompanhar.

A DÚVIDA

Diferenças abismais

Nesta temporada, o último classificado da liga inglesa, o Cardiff City, recebeu cerca de 75 milhões de euros relativos a direitos televisivos, um valor que mostra bem a pujança do futebol inglês e que ajuda a perceber os verdadeiros “milagres” que os clubes portugueses fazem para conseguir competir com equipas mais fortes em termos financeiros. Em Inglaterra, os direitos televisivos são centralizados e distribuídos de modo mais equitativo entre todos os clubes, sem descurar a sua dimensão social e o mérito desportivo. Seria este um modelo positivo e mais vantajoso para os clubes portugueses?

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