Benfica ganhou... 15 dias
O primeiro jogo oficial da temporada 2006/07 já faz parte do passado. O Benfica, à procura da entrada na fase de grupos da Liga dos Campeões, empatou (1-1), fora de casa, com o Austria Viena.
Em teoria, empatar (e com golos) na condição de visitante, em qualquer jogo referente à "Champions", é um bom resultado. Para mim, essa lógica não é assim tão clara, nomeadamente quando se constata que determinada equipa é superior a outra. E sejamos claros, o actual Benfica - mesmo a quilómetros de distância daquilo que devia fazer - é bem superior a um conjunto austríaco que, seguramente, não teria condições para concluir a Liga portuguesa nos primeiros 6-8 lugares.
Quer isto dizer que, pela observação via Tv, o Benfica só poderia pensar que tinha obtido um bom resultado em Viena, caso tivesse ganho. E isso não sucedeu, embora até esta igualdade coloque, desde já, os portugueses em vantagem.
Fernando Santos - que continua a ver a sua equipa a jogar um futebol pouco atractivo e sem muita consistência, seja ela defensiva ou ofensiva... - pode, contudo, dar-se como satisfeito. O empate, no primeiro jogo "a doer", dá-lhe mais 15 dias de aparente tranquilidade. Mais do que a igualdade em campo, foi isso que as águias ganharam... duas semanas para trabalhar e melhorar quase tudo.
Uma nota para o golaço de Nuno Gomes. No mesmo estádio e na mesma baliza onde Madjer espantou a Europa numa Taça dos Campeões que acabaria nas Antas. Golos destes fazem com que o futebol ganhe adeptos. Até em partidas fraquinhas como esta é possível surgir uma obra de arte! Um tento para mais tarde rever...
Mas, deixemos o futebol de lado. Nesta terça-feira, o atletismo português merece nota de destaque.
Obikwelu, no seu estranho estilo "de ver os outros na frente para depois passar por eles como se fosse... de mota" ganhou a medalha de ouro nos 100 metros do Europeu de Gotemburgo com uma classe assombrosa. O luso-nigeriano, que muito sofreu até chegar ao estrelato, é um caso sério. De capacidade, de "explosão" nos últimos metros e de simplicidade. Merece tudo o que a vida lhe tem dado. E penso que se conseguisse arrancar em condições... nem o recorde do Mundo lhe escapava! Mas, até que escolher, é preferível continuar a partir mal e a terminar... na frente.
João Vieira segurou o bronze nos 20 quilómetros marcha e o jovem Nélson Évora foi sexto na final do salto em comprimento. Mais dois registos sensacionais, com a agravante (deveras positiva) de terem sido protagonizados por figuras pouco conhecidas junto do grande público. Agora, seguramente, vão passar a ter outra atenção.
Estão de parabéns os atletas, os treinadores e a Federação. E acredito que até ao termo do certame ainda vamos ver o nome de Portugal voltar a brilhar. E isto mesmo sem Rui Silva que, caso não estivesse lesionado, era mais um sério candidato a encher-nos de alegria.
