Benfica jogou o melhor futebol
OBenfica foi esta época a equipa que jogou melhor futebol, mas cometeu erros graves em momentos cruciais. Faltam 90 minutos para a atribuição do título (nada é certo à entrada da última jornada) mas, independentemente do que acontecer na Luz e na Capital do Móvel, o presidente dos encarnados, Luís Filipe Vieira, tem muito para reflectir no ataque às próxima(s) temporada(s).
É que, esta época, Jorge Jesus conseguiu disfarçar, com trabalho e muita imaginação, alguns défices de constituição do plantel, algo desequilibrado para a forte exigência que a certa altura se lhe deparou, no campeonato, na Liga Europa e na Taça de Portugal. O Benfica, do meio-campo para a frente, tinha soluções de luxo, mas as alternativas para alguns lugares não correspondem (nem corresponderam) à tentativa de implementação de uma rotatividade que se impunha.
Preto no branco: mesmo com um ataque de grande capacidade; mesmo com médios-ala e extremos de qualidade, faltaram laterais e centrais alternativos e faltaram soluções para retirar sobrecarga a Matic e Enzo, insuperáveis no meio-campo. As saídas de Witsel e Bruno César não foram compensadas. Em Dezembro/Janeiro, algo deveria ter sido feito para dotar o plantel de um maior equilíbrio. São erros que não se podem cometer. Como não se podem cometer erros como aqueles que foram cometidos frente ao Estoril (Artur, Carlos Martins...), FC Porto (Roderick...) e Chelsea (Jardel e André Almeida)... Não foi apenas falta de sorte. Foi também má planificação, negligência na (re)construção do plantel e erros individuais, que assentam numa menor qualidade dos executantes. Interessa agora ao Benfica discutir, internamente, o modelo. Claramente, o treinador precisa de ser reenquadrado.
Não há desculpas: se o FC Porto vencer amanhã o Paços de Ferreira – o resultado mais lógico, num jogo decisivo para os portistas –, o Benfica fica a dever a si próprio e aos seus deméritos a conquista do título de campeão nacional. Porque teve o pássaro na mão e permitiu que o seu rival, meio surpreendido com a dádiva concedida no jogo com o Estoril, passasse a ter o controlo dos acontecimentos.
Numa Liga muito equilibrada no topo da classificação, com FC Porto e Benfica a demonstrarem grande valor, distintivo de todas as outras equipas, o clássico do Dragão funcionou como uma espécie de tira-teimas. Sem polémicas de arbitragem, as duas melhores equipas portuguesas, muito similares na sua capacidade mas diferentes na maneira de jogar, ficaram entregues a si próprias. E o FC Porto foi, outra vez, como tem acontecido na esmagadora maioria dos jogos com os encarnados, mais eficaz e superior nos 90 minutos.
Por isso, se o FC Porto demonstrar a sua superioridade em Paços de Ferreira, não há nada a contestar. Apenas os erros cometidos pelo Benfica, que foi a equipa que durante a época exibiu o melhor futebol. Numa Liga muito equilibrada no topo, a diferença deveria ser estabelecida pelo conjunto que jogou o melhor futebol. Mas nem sempre é assim – e o FC Porto pode estar a hora e meia de aproveitar o brinde. É bom, todavia, não menosprezar a capacidade de resposta do Paços de Ferreira, que fez um grande campeonato como equipa-sensação. O FC Porto é favorito, não costuma desperdiçar estas oportunidades de ouro e esperemos que este jogo (de alto risco) se dispute com empenhamento total de parte a parte, sem pressões externas, sem incidências que coloquem em causa a verdade desportiva e num clima em que seja possível preservar a integridade da competição. E que, no final, vencedores e vencidos se saibam respeitar!
JARDIM DAS ESTRELAS
Antero Henrique promovido
Num momento de alguma perturbação pela presença (não formal) de Alexandre Pinto da Costa nos corredores do futebol portista, com as devidas consequências ao nível da intermediação e da influência em matéria de aquisições (no “negócio transferências”), eis que Antero Henrique é incluído na lista da Direcção (como vice-presidente) que vai secundar Pinto da Costa naquele que deve ser o seu último mandato (2013-16) na presidência do Dragão. Promoção estratégica? E quem vai vencer a luta pelo (novo) treinador?...
TEMPO EXTRA
Ganha Inácio
Há no Sporting o receio que, neste caminho, haja apenas uma mudança de clientelas, e essa é a grande responsabilidade de Bruno de Carvalho: recrutar e dispensar com critério, olhando para as necessidades do clube e, sobretudo, do futebol.
É o modelo que está em causa e a definição desse modelo. Há, em tese, um modelo que pode ser vencedor sem Jesualdo Ferreira? Haver, há... Alguns investimentos que têm sido veiculados pela imprensa (por exemplo, na área da preparação física) até podem ser interessantes, mas não deixa de ser redutor que, num projecto desta natureza, não haja espaço para um treinador com as características “metodológicas” de Jesualdo Ferreira. De facto, a autonomia de Jesualdo não se compraz com o poder que se prometeu conferir a Augusto Inácio. O “nó górdio” parece estar a desfazer-se, mas não é certo que isso não tenho consequências para o próprio presidente do Sporting...
O CACTO
Fracasso
Numa época em que se desgastou em polémicas constantes, algo que foi cultivando com gosto, como se fosse uma decorrência do seu ADN, afastado prematuramente da luta pelo título (perante o Barcelona), houve um momento em que pareceu poder reabilitar-se, mas a eliminação da Champions tudo agudizou. O colapso aconteceu ontem, perante o rival de Madrid, na final da Taça do Rei, a última oportunidade de somar mais um troféu ao seu excelente palmarés. E ainda foi expulso (aliás como Cristiano Ronaldo), num jogo em que o Real evidenciou nervosismo fora de comum, talvez a consequência de uma temporada problemática e fracassada, à qual não podem ficar à margem as tensões vividas entre Mou e muitos jogadores. É tempo de fazer conta$, porque até a confiança dos adeptos se perdeu...
