Benfica português é mesmo a sério?

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Benfica português é mesmo a sério?
Benfica português é mesmo a sério?

A hegemonia que o Benfica conseguiu no futebol português e que entretanto perdeu para o FC Porto foi através da qualidade dos jogadores portugueses e os chamados “ultramarinos”, antes do 25 de Abril. O Benfica mudou do oitenta para o oito. Nunca tendo sido um clube vocacionadamente virado para a formação, como o Sporting, que nunca abdicou dessa matriz ao longo dos tempos (antes e depois da Lei Bosman), há muitos anos que o Benfica passou a privilegiar o mercado sul-americano e, mais recentemente, o europeu. A pensar no negócio.

Vem agora o presidente Luís Filipe Vieira, na primeira entrevista do ano, a reforçar a ideia sobre o “Benfica do futuro”: “O meu sonho e o de todos os benfiquistas é ter um Benfica... ‘made in Benfica’”. A ideia não é nova. Nova é a insistência, que contrasta com as opções do treinador Jorge Jesus nos últimos cinco anos. Num mercado aberto e liberalizado, estamos perante um caso de mera retórica ou Vieira está mesmo empenhado em construir um Benfica de matriz nacional? Afinal, e considerando as opções preferenciais de JJ, qual é mesmo o significado de... sintonia? Há alguma relação que se possa estabelecer entre o “timing” desta reivindicação presidencial e a baixa produtividade do futebol benfiquista, na derradeira fase da “era Jorge Jesus”?

Luís Filipe Vieira anda claramente a preparar o terreno e, desse ponto de vista, está a ser hábil. Nesta primeira entrevista de 2014, ainda ficou mais claro aquilo que vinha sendo anunciado: ou JJ conquista o título ou... “adeus”. A aposta em Jorge Jesus, quando este se encontrava em Braga, foi de grande visão. Nessa altura, Vieira tinha seis anos de presidência e, portanto, com experiência suficiente para impor uma política desportiva. Se não o fez, foi porque não quis ou porque não teve essa capacidade. É óbvio que quando Jesus chega à Luz e, imediatamente, é campeão nacional, o estatuto do técnico encarnado, enquanto líder do futebol benfiquista, surge reforçado. Não se impôs a estrutura; impôs-se o treinador.

Só uma organização forte resistiria aos impulsos de um técnico forte. Como a organização não era forte, o treinador ficou por cima. E, então, a vocação do treinador em tirar rendimento dos jogadores (uma das grandes qualidades de JJ que está a conhecer um hiato, precisamente esta época, por razões óbvias) coexistiu com a premência de o Benfica fazer negócio(s). Jorge Jesus aparece, muito justamente, como o grande “motor” dos negócios realizados pela SAD encarnada. Porque multiplicou por 4, 5 ou 6 vezes o valor de mercado de um número considerável de jogadores, o que não tinha acontecido com outros técnicos que haviam passado pelo Estádio da Luz. Fê-lo com futebolistas brasileiros, argentinos, espanhóis e belgas, e conseguiu-o fazer com um jogador português: Fábio Coentrão.

E qual a razão desta desproporcionalidade? Será que Jorge Jesus embirra com os jogadores portugueses, por capricho? Ou será que os jogadores portugueses, por se encontrarem em Portugal e habituados a uma cultura de facilitismo, embirram com exigência e modelos de profissionalismo mais apertados? O caso de Coentrão é paradigmático: era um jogador mediano no Rio Ave. Jorge Jesus fez dele um atleta de alto rendimento, ao ponto de o Benfica ter realizado com a sua venda ao Real Madrid uma mais-valia que não é comum no futebol português: gastou menos de 2 milhões e vendeu por 30.

Resta dizer que o êxito de Coentrão no Benfica teve muito a ver com a disponibilidade do jogador em acatar as orientações de Jorge Jesus, o que não foi possível com outros atletas. E isso faz toda a diferença. Foi, aliás, no Benfica e com JJ que Carlos Martins atingiu os maiores níveis de rendimento em competição. Mas o que pode fazer um treinador perante um atleta que protagoniza uma situação como aquela que ocorreu no Benfica-Estoril da época passada?

Saem agora notícias segundo as quais Luís Martins e Pizzi podem estar de regresso ao Benfica em Janeiro, o que se enquadra naquilo que Vieira tem vindo a afirmar, ultimamente. Isto de se querer fazer uma equipa portuguesa à força tem que se lhe diga. Porque pode chocar com os padrões de exigência do treinador. E porque, indirectamente, o treinador pode sentir que o presidente está a entrar nos seus territórios e a querer “fazer a linha”. Bem sei que são poucos os treinadores que conseguem uma autonomia técnica à volta dos 90%, mas não é fácil para nenhum treinador perdê-la – nem para aqueles que ganham 4 milhões brutos por ano –, como foi o caso de Jorge Jesus.

É neste sentido que se enquadra a contagem decrescente de Jorge Jesus no Benfica e o “ultimato” de Vieira: ou és campeão ou...

Opróximo treinador do Benfica não pode deixar de ter baixo perfil. Para ser uma corrente de transmissão (com pouca massa crítica) da SAD. Sem qualquer ponta de escândalo...

JARDIM DAS ESTRELAS
Benfica-FCPorto domingo, à tarde

É de louvar o esforço que os clubes e a Liga têm feito para que o futebol, em Portugal, se realize em horários mais adequados à vida das pessoas e dos seus consumidores. A Liga teve até a iniciativa de conseguir calendarizar, com antecedência, os jogos das últimas jornadas da primeira volta.

É assim que vejo com particular interesse o facto de o Benfica-FC Porto ter sido marcado para o próximo dia 12, domingo, às 16 horas. Chapeau!

O CACTO
Elias

Foi a contratação mais cara da história do Sporting (8,85 M€) e, como tal, tem de render alguma coisa. E se é verdade que Elias chegou a Alvalade num período especialmente conturbado, também é verdade que um jogador que custa cerca de 9 M€ não pode apresentar um nível de rendimento tão baixo como aquele que exibiu no Sporting. Aliás, no Flamengo, em 2013, voltou a ser o... grande Elias!

Fazem muito bem os leões em não abrir mão, facilmente, do atleta. O Sporting quer do Fla, agora, por 50% do passe, aproximadamente aquilo que ele custou ao clube de Alvalade.

Haveria uma opção alternativa, que era fazer de Elias um reforço de Inverno: mas um jogador que sempre pensou mais em euros do que em render será um estímulo e uma mais-valia para um balneário unido e exemplar, na sua atitude competitiva e para uma administração que não se cansa de falar (e bem) na recuperação da exigência?!

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