Bento, o justiceiro

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Bento, o justiceiro
Bento, o justiceiro

O selecionador chama Nuno Gomes e Quim... “para o boneco”. Que pensam disso João Tomás e Beto?!... Bem sei que os critérios de seleção se alteraram muito nos últimos anos. Antigamente, prevalecia o rendimento dos jogadores, a sua “forma” física, a utilização regular nos respetivos clubes. É por isso (mas não só...) que hoje em dia não se torna necessário jogar muito (e bem) para se merecer a atenção do mercado e uma transferência... para somar.

Ainda um jogador “não mostrou nada” e já está nas cogitações de “meio mundo”. São as ligações e a força dos lóbis. Os lóbis empresariais que são, simultaneamente, lóbis de prevalência económica. Agora, vivemos, noutro plano, o tempo do primado das convicções. A convicção de que Quim pode ser útil na Seleção Nacional. A convicção de que Nuno Gomes pode marcar golos na Seleção. Qual a sustentação destas dinâmicas? O passado e a memória. Será todavia apenas isso?

Bem sei que estamos em Agosto. Bem sei que estamos a começar uma nova época. Mas há indicadores importantes que deveriam ser considerados, para além do primado das convicções e das dinâmicas de contraciclo:

1. Quim está a 3 meses de completar 36 anos e fez a sua carreira entre o Sp. Braga (10 épocas) e o Benfica (6), tendo realizado 339 jogos na Liga portuguesa;

2. Já contratado pelo Sp. Braga e na sequência de uma rotura total do tendão de Aquiles, o guardião Quim não pôde jogar ao longo de toda a época passada;

3. Nuno Gomes, 35 anos, antes de rumar a Braga, construiu a sua carreira no Boavista (3 épocas), Fiorentina (2) e Benfica (3+9), tendo participado em 371 jogos da Liga portuguesa (149 golos) e em 53 da Liga italiana (14);

4. Na época passada, Nuno Gomes não realizou para o campeonato uma única partida como titular; entrou 5 vezes e, em 99 minutos, marcou 4 golos;

5. Esses 4 golos foram marcados à Naval (o último, quando o resultado já se encontrava em 3-0), Portimonense (deu o empate ao Benfica, a 13 minutos do fim) e Paços de Ferreira (o quarto e o quinto dos encarnados, quando o ‘score’ já se achava em 1-3). Em síntese: Nuno Gomes deu 1 ponto ao Benfica.

Numa convocatória tenta entender-se os critérios (Paulo Bento disponibilizou-se, e bem, a explicar a não chamada de Rolando) e dela fizeram parte – entre os guarda-redes: Rui Patrício e Eduardo (mais Quim); entre os pontas-de-lança: Postiga e Hugo Almeida (mais Nuno Gomes).

Dois exemplos de jogadores que têm razões para se sentirem injustiçados pelas escolhas do selecionador – na baliza:Beto (FC Porto). Foi a “sombra” de Helton na época passada e realizou 6 jogos a contar para a Liga, num total de 448 minutos em campo. No centro do ataque (uma vez que o critério da idade foi posto de lado): João Tomás (Rio Ave). Agora com 36 anos, em 2010-11 fez 29 jogos a titular e marcou 16 golos (tantos quantos Falcão).

Quer Beto quer João Tomás, por exemplo, “fizeram” mais do que Quim e Nuno Gomes. Isto de se ser “justiceiro”, nos antípodas do ex-selecionador e do atual técnico do Benfica, tem muito que se lhe diga... Mas alimenta o ego das “turbas dominantes” e, por isso... siga a Marinha!

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