Bettencourt tem a palavra
O Sporting foi eliminado da Liga dos Campeões. Como o adversário era a italiana Fiorentina, ninguém pode estar surpreendido, mesmo admitindo (porque é verdade) que os leões foram melhores nos dois jogos. Antes, sucedera precisamente o contrário: o clube de Alvalade, como se esperava, afastou os holandeses do Twente sem, durante os dois duelos, praticar melhor futebol. Curiosamente, em ambos os casos, não foram precisas vitórias ou derrotas para traçar o destino da formação comandada por Paulo Bento. Os empates, com muita felicidade ou injustiça à mistura, chegaram para decidir.
No duplo duelo com os transalpinos, o Sporting não foi mesmo inferior à turma de Florença. E sendo assim, não tenho dúvidas em afirmar que o desfecho da eliminatória podia ter sido diferente. Faltou sorte? Faltou, como também - reafirmo - faltou uma arbitragem diferente em Alvalade para, pelo menos, o vice-campeão nacional ter mais argumentos para conseguir, em casa, melhor que um empate 2-2. Mas, realisticamente, aos leões, como já tinha sido óbvio em embates anteriores, faltou classe.
O Sporting tem alguns bons jogadores, possui outros que são apenas aceitáveis e ainda uns quantos que, sem dúvidas, não possuem talento para, ao mais alto nível, contribuir para o eventual sucesso da equipa numa prova tão exigente quanto a Liga dos Campeões. Esta, por mais brusca que possa parecer, é a pura das realidades.
Neste momento, mais do que falar em azar, na juventude do plantel, nas ausências por esta ou aquela razão ou olhar para o orçamento dos opositores internos e externos, o que os responsáveis do clube precisam de fazer é, de uma vez por todas, passar uma mensagem clara aos sócios e adeptos. Se há dinheiro suficiente é obrigatório ir às compras, tentando descobrir jogadores para hoje e não possíveis apostas para o futuro. Será fácil, nesta altura? Nem um pouco, mas a verdade é que sem recrutar, em autêntico "sprint", alguns elementos a equipa corre sérios riscos de, em definitivo, não ter condições para, ao final de uma longa época, pensar em bater o pé a FC Porto e Benfica.
Mas, e se de facto o clube não reunir condições necessárias (leia-se ter euros suficientes ) para "esgravatar" o mercado? Bom, nesse caso, José Eduardo Bettencourt tem, quanto antes, de vir a público explicar que, afinal, o objectivo não passa por ganhar o campeonato, mas sim correr como "outsider". Por outras palavras: sem verba para, de momento, proporcionar melhores soluções a Paulo Bento, o Sporting tem de admitir que, indo lutar para chegar ao título, parte em desvantagem.
Bettencourt não deve ter receio, caso seja este o cenário, de admitir que o Sporting não é o principal favorito ao título nacional. Só assumindo isto, sem rodeios, o presidente retirará alguma pressão dos ombros de Paulo Bento e dos jogadores. Tal, naturalmente, não deverá significar uma diminuição no grau de exigência mas, apenas e só, clarificar a situação. Como o técnico afirmou em Florença, quem não perceber (e aceitar) as dificuldades existentes estará, ainda que inadvertidamente, a contribuir para o aumento da pressão. E essa mensagem, podendo ter outros destinatários, ajusta-se bem aos dirigentes. São eles que precisam encontrar forma de reforçar a equipa ou, em alternativa, quem deve explicar aos sócios que, sem dinheiro, é irreal pensar em grandes feitos.
PS - No dia em que viu confirmada a chamada à Selecção Nacional (mantenho a posição de não concordar com a convocação, embora deseje, caso seja utilizado, que tenha toda a sorte do Mundo), Liedson continuou sem conseguir marcar esta época. E o Sporting voltou a não ganhar. Pode ser só uma mera coincidência, mas para mim não é.
PS 1 - Por falar em Selecção só me apeteceu rir quando constatei que Nuno Gomes mereceu, desta vez, a atenção de Queiroz. Depois de tanta experiência discutível, ignorando um elemento de referência (com todos os seus defeitos e virtudes), não deixa de ser curioso ver o seleccionador obrigado a "bater à porta" de um futebolista que, em bom português, tinha sido riscado. Ironias do destino...
