Bilhete com destino para o Brasil

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Bilhete com destino para o Brasil

A Seleção Nacional inicia hoje a campanha de qualificação para o Mundial’2014. Portugal vai lutar pela sua quarta presença consecutiva na prova e sabe, por experiência própria, que não pode facilitar. Com força, vontade e espírito de entreajuda, terá de jogar para vencer em qualquer campo e evitar contas finais feitas em cima do joelho. Todos esperamos que esta caminhada venha a valer, a Paulo Bento e aos seus jogadores, a desejada viagem para o Brasil.

Num grupo que inclui as seleções da Rússia, Azerbaijão, Israel, Luxemburgo e Irlanda do Norte, a nossa equipa tem obrigação de lutar pelo primeiro lugar. Basta ver o ranking da FIFA para perceber que estamos acima de qualquer uma destas formações. No entanto, é preciso estar ciente de uma coisa: ser favorito não significa que a qualificação está garantida. É preciso provar em campo que somos melhores.

Todas as cautelas serão, por isso, necessárias. Alguns adversários vão obrigar a Seleção a redobrada atenção, até porque teremos de fazer viagens longas e desgastantes, o que poderá ter reflexos no rendimento dos jogadores portugueses que, fruto da sua presença nos principais campeonatos europeus, têm de cumprir um calendário intenso e apertado.

A Rússia deverá ser a nossa principal rival na luta pela qualificação direta para o Mundial’2014. Agora que é comandada pelo italiano Fabio Capello, será de esperar uma equipa à imagem do seu treinador, focada essencialmente num grande rigor defensivo e eficácia atacante, onde poderá tirar partido do talento e criatividade de jogadores como Arshavin ou Dzagoev.

Nesta campanha, Portugal terá de evitar as escorregadelas com adversários mais fracos. São estes jogos, quando correm mal, que nos fazem chegar ao fim de calculadora na mão. Essa tarefa de não facilitar começa já no Luxemburgo. Só interessam os três pontos e a vitória tem de ser conseguida. Motivação, confiança e respeito pelo adversário são valores que não podem falhar.

Com Paulo Bento, a Seleção Nacional ganhou uma equipa e surpreendeu muita gente no Euro’2012. Passámos a praticar um futebol mais calculista, com menor posse de bola, mas que se mostrou à medida das características dos nossos atletas. Sem receios perante qualquer equipa, o selecionador e seus jogadores reconciliaram novamente os portugueses com a sua seleção. Paulo Bento blindou o grupo a todas as críticas do exterior e garantiu-lhes toda a tranquilidade para poderem dar o seu melhor. É isso que queremos ver repetido nos próximos dois anos.

A convocatória de jogadores como Pizzi e Nuno André Coelho mostra que o selecionador está atento à necessária introdução de novos atletas na equipa. Paulatinamente, o grupo vai ganhar novas opções, o que é um trabalho vital para um país com recursos limitados como Portugal e sabendo-se da dificuldade cada vez maior em encontrar jogadores portugueses de qualidade nos principais clubes do nosso campeonato.

Por aquilo que já fez, Paulo Bento merece a confiança de todos. Provou ser capaz de levar o leme do barco da Seleção a bom porto. E seria muito importante, para além das evidentes motivações desportivas, que Portugal pudesse marcar presença no próximo Mundial’2014, dada a realização da prova num país irmão. Com Brasil e Portugal, e quem sabe se com mais algum país da Lusofonia, poderíamos fazer do futebol uma bela festa da língua portuguesa.

O CRAQUE

À procura do tempo perdido

Ruben Micael confessou, de forma sincera, que se soubesse o que lhe ia acontecer, não teria trocado o FC Porto pelo Atlético Madrid no ano passado. Iludido com a ida para um histórico do país vizinho, o jogador acabou emprestado ao Saragoça, uma equipa sem argumentos para lutar por mais do que a manutenção na liga espanhola. A vinda para o Sp. Braga dá-lhe a possibilidade de relançar a carreira num clube que estará na montra da Liga dos Campeões. E o médio madeirense já mostra serviço com golos e assistências importantes.

A JOGADA

Arranque positivo das equipas B

Do que me foi permitido observar nestas jornadas iniciais da 2.ª Liga, a introdução das equipas B está a dar bons resultados. Muitos jovens talentos encontraram, finalmente, espaço para competir e evoluir. Entre as formações secundárias, o Benfica B é a que, para já, se tem mais destacado. Norton de Matos está a rentabilizar jogadores menos utilizados da equipa principal (Jardel e Miguel Vítor) e a projetar estrelas para o futuro. Se a oportunidade lhes for dada, ainda vamos ouvir falar muito de nomes como Miguel Rosa, João Cancelo e Ivan Cavaleiro (na foto).

A DÚVIDA

Coisas difíceis de entender

Chegou a Portugal rotulado de prodígio. Muitos começaram a apelidá-lo de mini Messi e as imagens que nos chegavam pela televisão, dos jogos da seleção da Argentina no Mundial de Sub-20, ajudavam a aguçar ainda mais o apetite. A verdade é que Juan Iturbe raramente jogou no seu ano de estreia. Este ano, o filme continua a ser o mesmo: ainda não foi convocado para nenhum jogo oficial. Consta que o seu apagamento tem a ver com motivos extrafutebol. Seja ou não verdade, irá o FC Porto deixar escapar ou ignorar este diamante por lapidar?

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