Boa. Boas!
O Braga merecia ter merecido ganhar ontem a final. Mas foi apenas sólido, não teve a faísca superadora – e o Porto dominou e ganhou. A Liga Europa está bem entregue. E consagra um treinador português. Está na hora de deixar de comparar André Villas-Boas com José Mourinho ou com quem quer que seja. A partir de agora, são os outros que passam a comparar-se com André Villas-Boas. Temos treinador.
Aos 33 anos e 213 dias, Villas-Boas tornou-se ontem no mais jovem treinador de futebol a ganhar uma taça europeia, como rapidamente analisava o Record no seu site logo após o final do jogo. Villas-Boas tem idade de jogador, não de treinador, o que o ajudará a conseguir um dos primeiros traços que o caracterizam: estabelece uma relação de amizade e respeito recíproco no balneário.
Aprendeu com José Mourinho, depois de ter começado acidentalmente com Robson, tendo sido um “analista” para ambos, incluindo avaliar os futuros adversários. Essa capacidade de ser estudioso e de usar essa fundamentação prévia do jogo tornam-no menos intuitivo e mais percetivo do que o molde com que são feitos a maioria dos treinadores portugueses (apetece dizer: “a maioria dos portugueses”).
O Porto está estrelar. Este ano, todos os portugueses tiverem um ano desgraçado, com a economia, a política, os cortes sociais... Todos menos os adeptos do Porto, que todos os fins-de-semana se alegravam e puderam fazer várias arruadas para festejar títulos. Isso deve-se a uma equipa, um presidente e um treinador que fizeram um trabalho magnífico, fazendo dos adversários portugueses meros pretendentes.
Villas-Boas junta-se a outros no Olimpo dos grandes treinadores portugueses. Ontem venceu talvez o próximo, para onde também já se encomendou pedestal. Domingos Paciência. Assim seja.
