Boletim clínico

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Meio campeonato percorrido e o rolo compressor da época passada desapareceu. A identificar uma mudança no Benfica desta temporada é essa. Há razões para isso: o trauma das derrotas de maio não foi superado; as expectativas de alguns jogadores que contavam sair foram frustradas; e a relação treinador/adeptos/plantel aparenta estar desgastada, parecendo por vezes irrecuperável. Ainda assim, jogando pouco, rematando ainda menos, virámos o campeonato em primeiro empatados a três. Se recuarmos um par de meses, parecia impossível.

Dá-se o caso de existir um fator que faz a diferença entre um Benfica que divide a liderança com Porto e um improvável Sporting e um Glorioso que podia bem estar a liderar isolado e que não tem sido referido. Até dezembro, a diferença entre os três grandes esteve no boletim clínico.

O rol de lesões que tem assolado o Benfica é longo e tem afetado jogadores chave. Se no início da temporada estávamos perante uma estranha epidemia de lesões musculares, entretanto estas foram coexistindo com lesões traumáticas. A verdade é que poucos jogadores escaparam a uma temporada no estaleiro e o Benfica já teve jogadores lesionados em quase todas as posições, por vezes mais do que um em simultâneo.

Só para dar alguns exemplos, imaginem que Cardozo tinha jogado sempre, que Salvio não tinha faltado a quase todos os jogos, que Sílvio e Siqueira não jogavam intermitentemente e que Ruben Amorim e Markovic não tinham parado de cada vez que ganhavam ritmo de jogo. Não é difícil de perceber que muitas das dificuldades que o Benfica enfrentou não se tinham colocado.

Mas já que estamos no domínio das hipóteses, pensem por um momento no Porto com laterais lesionados e Jackson de fora ou no Sporting sem Montero e um par de médios. Pois qualquer destes cenários é menos negativo do que aquela que tem sido a realidade do Benfica deste ano. Porto e Sporting não têm alternativas aos titulares, o Benfica tem sobrevivido a uma onda de lesões.

Não fora o boletim clínico e o mais provável é que, em lugar de estarmos a falar dos problemas do Benfica, estivéssemos a celebrar o Natal destacados na liderança.

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