Bom dia, sr. ministro!
À primeira vista, esta peregrinação benfiquista pelos gabinetes governamentais e com as cassetes debaixo do braço parece, de facto, um pouco patética. O que tem o Executivo a ver com os disparates dos dirigentes ou dos árbitros? Primeiro, os homens do futebol têm de discutir os problemas do futebol no seio da Liga e da Federação. E só em caso de obstáculo insanável se devem dirigir ao poder e reclamar o seu patrocínio. Ora a verdade é que não vejo os dirigentes encarnados proporem o debate, procurarem consensos ou conformarem-se com as regras nascidas das decisões da maioria dos clubes. E foram então reclamar o quê do Governo? A não validação à posteriori do segundo golo de Simão ao Rio Ave, obtido em situação de fora-de-jogo? O mal não está, evidentemente, no diálogo com o Executivo de uma grande instituição nacional, mas no que em boa verdade mais parece esta exibição espectacular de marketing saloio: muito protesto, muito cenho franzido, muito arraial para... nada. É que está na própria postura dos dirigentes a maior desgraça do nosso futebol - o autismo, que não resolve problemas. Mas que os agrava...
1. Lucílio Baptista
Tanto se tem dito sobre o nosso único árbitro no Europeu... E, no entanto, quem viu a agressão de McCarthy? O árbitro assistente. E quem assinalou um inexistente fora-de-jogo a Cafú que o deixaria isolado? O árbitro assistente. E quem não viu o mesmo avançado em "off-side" na jogada do golo do Boavista? O árbitro assistente. E quem não viu Simão também em fora-de-jogo no lance do segundo golo do Benfica? O árbitro assistente. Aliás, é calamitosa a qualidade técnica destes juízes auxiliares, que comprometem, bem mais do que cabe na inevitável banda do erro, o trabalho dos seus chefes de equipa. Quem teve a peregrina ideia de acabar com os observadores para estes fulanos?
2. Trapattoni
O treinador do Benfica é um sábio e eu não passo de um ignorante. Mas a sua reconhecida inteligência na leitura do jogo ficou agora bastante abananada aos meus olhos depois da partida com o Rio Ave. Se era visível, mesmo para os mais distraídos, que Miguel não se encontrava nas condições físicas necessárias para a alta-competição, por que jogou? E, já que iniciou a partida, por que ficou até ao fim? E com o resultado em 3-2, por que saiu Karadas que, mesmo jogando pouco, provoca um enorme desgaste nas defensivas contrárias? E com o Benfica partido em dois, Zahovic não teria sido alternativa para o lugar do esgotado Manuel Fernandes? O sábio achou que não. E tramou-se.
3. Carlos Brito
Lá está: quem não trata da própria promoção não vai longe. E este treinador do Rio Ave já estaria certamente lançado para mais altos voos se fosse do género de se pôr em bicos de pés e de dizer meia-dúzia de alarvidades. Mas não, época após época Carlos Brito lá vai desenvolvendo o seu trabalho com eficácia, mas também com enorme discrição. Não sei quantos salários de jogadores do Benfica equivalem a todo o plantel vila-condense, mas são seguramente poucos. Como não sei quantos anos terá Carlos Brito de trabalhar para ganhar o que Mr. Trap aufere numa única época, mas são por certo muitos. O que sei é que no domingo, na Luz, os que vieram da praia é que foram os craques...
4. Quem é o Beto
O que escrevi sobre Peseiro, Beto e o Sporting no passado sábado acabou por se confirmar no jogo de Aveiro. Basta reparar nestes dois lances dos golos do Beira-Mar. No do primeiro, além de Kingsley, o marcador, e de McPhee, que centrou, havia ainda Tanque Silva na frente de Ricardo. Na jogada do segundo tento, o centro de Pablo encontrou a cabeça de Heitor a desviar a bola para a baliza, mas havia outros três (!!!) aveirenses prontos para marcar. Imagine-se que Beto estava no banco e que entrava, em vez de Pedro Barbosa, para defender (?) o 1-2... Teria acontecido o empate?
5. H. Chaves
São tantas as vezes em que se critica o Governo por falta de pulso, que a intervenção do ministro adjunto Henrique Chaves na polémica que opõe a Federação de Andebol de Portugal e a Liga da modalidade foi um acto de coragem que importa salientar. É conhecida a minha admiração pelo trabalho de Luís Santos e da sua equipa, que tiraram o andebol português da obscuridade, mas isso não implica que eu não reconheça que o beco sem saída a que se chegara - por culpa das duas partes - impunha que o Governo chamasse a si a resolução do problema. E as instruções dadas ao secretário de Estado do Desporto para meter a casa em ordem foram decisivas. Tomar uma decisão - coisa simples, afinal.
6.ª-feira Record tem nova direcção
Pois é, esta sexta-feira Record completa 55 anos e aproveita para encerrar um ciclo da sua existência e criar uma situação bastante aguardada pela concorrência: o afastamento da actual direcção. Ao mesmo tempo, entram em funções um novo director, o jornalista Rui Miguel Tovar, 27 anos, um director-adjunto, João Almeida Moreira, 31, e dois subdirectores, César de Oliveira, 32, e Luís Pedro Sousa, 33 anos. Com esta lufada de sangue fresco, Record abre directamente a página do futuro que reforçará a sua liderança na imprensa desportiva. É com prazer que eu e o António Magalhães cedemos o lugar aos mais novos. Sexta-feira, o Record já será... diferente.
