Bósnia: Professor em exame
Saiu a Bósnia! É este o derradeiro adversário de Portugal na luta pela presença na fase final do Mundial do próximo ano. Foi um bom sorteio? Não se pode dizer que sim mas, objectivamente, também não devemos afirmar o contrário. A Bósnia é um conjunto emergente no panorama do futebol europeu, possui alguns jogadores de qualidade acima da média (com destaque para o goleador Dzeko), mas não deixa de ser uma formação sem experiência ao mais alto nível. E sejamos claros: se Portugal tem pretensões a fazer boa figura na África do Sul, convém não se atemorizar com a Bósnia. Complicado seria ter de enfrentar, numa eliminatória com estas características, equipas como a França, Espanha, Itália, Inglaterra ou Alemanha.
Pessoalmente, como referi no artigo anterior, preferia que fosse a Eslovénia a sair-nos em sorte. Mas, mesmo que os deuses da fortuna nos tivessem reservado Irlanda ou Ucrânia, iria continuar a pensar da mesma forma: a formação lusa seria sempre favorita. Independentemente dos tropeções que a Selecção registou na fase de qualificação, ninguém pode dizer, com rigor, que algum dos quatro opositores possíveis era melhor que Portugal. Mas, tal constatação, não nos vale o apuramento, vitórias ou golos. É preciso confirmá-lo em campo, jogando desde o primeiro minuto do "playoff" como favoritos e não ficando à espera de qualquer coisa.
Carlos Queiroz, ao longo da sua carreira, já disputou embates de grande importância. Contudo, depois dos títulos mundiais de juniores, continua a faltar-lhe um resultado de peso nos seniores. Será possível que tal suceda na África do Sul? Possível... é mas, para já, urge assegurar o apuramento. Por outras palavras, o seleccionador nacional tem pela frente um teste determinante, provavelmente um exame decisivo que pode marcar o resto da sua carreira. Carimbar a presença no Campeonato do Mundo, mesmo com um trajecto pouco convincente a nível de resultados, deverá permitir-lhe manter-se à frente da Selecção Nacional, com hipóteses de alcançar o tal resultado significativo em 2010 ou no Europeu de 2012.
Pelo contrário, se Portugal cair aos pés da Bósnia, não creio que Queiroz consiga levar até ao fim o seu contrato com a Federação Portuguesa de Futebol. Pior: o divórcio entre o treinador e a opinião pública será mais evidente do que nunca. Por outras palavras, o mais certo será ver o experiente treinador a ter de emigrar de novo. Só que, desta vez, sem grandes probabilidades de regressar por cima.
Mas, deixemos os cenários de lado e olhemos para a realidade. Com ou sem Ronaldo, daqui a menos de 1 mês, Portugal está obrigado a afastar a Bósnia. Se o adversário tem avançados de qualidade, a equipa das quinas possui dos melhores centrais da Europa. E não quero acreditar que o talento dos nossos médios e atacantes não seja capaz de desbaratar uma defesa que, indiscutivelmente, é o ponto mais débil dos bósnios. A Espanha (que está em grande forma, é verdade) marcou-lhes 6 golos em 2 jogos. Não creio que seja necessário tanta eficiência para os despachar...
