Brasil e contas

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Enquanto em Portugal andamos a olhar para os relógios, no Brasil não tiram os olhos das máquinas de calcular. Os desvios de custos na construção dos estádios de futebol são assustadores. E, infelizmente, típicos. O Mundial de futebol está envolto em polémica e as razões justificam-no.

A presidenta, Dilma Rousseff, tenta acalmar os ânimos apelando à grandeza do evento. “É uma visão pequena do Brasil, muito pequena do Brasil, não perceber a importância para o povo brasileiro e para o país ter o Mundial”, diz aquela que é uma das mulheres mais poderosas do Mundo. Mudando o ano, o local e o sotaque, este discurso parece-nos bem conhecido. Há dez anos, quando Portugal albergou o campeonato europeu, a conversa era a mesma: o gasto havia sido enorme, acima do previsto e deixando de pé estádios onde poucos poriam depois os pés. Mas quem criticava era vesgo ou mal-intencionado. Depois foi o que se sabe.

No Brasil, o projeto é monstruoso, pois além de 12 estádios, cujo custo de construção está neste momento no triplo do orçamentado, há aeroportos, portos, estradas, transportes urbanos, imobiliário, telecomunicações e muito mais, num projeto interligado com as Olimpíadas de 2016. Acontece que a crítica é muito grande, com as suspeitas de corrupção, a riqueza mal distribuída e as grandes cidades a rebentar pelas costuras.

Os grandes eventos desportivos, como um campeonato mundial de futebol ou uns Jogos Olímpicos, significam investimentos brutais, que podem resultar num novo ponto de partida para o reposicionamento internacional e turístico de um país, como aconteceu em Espanha, ou podem deixá-lo cheio de dívidas por pagar, como aconteceu na Grécia, tão pouco tempo antes de o país ser acudido pela troika. Há lições que são fáceis de aprender mas difíceis de fixar.

PS: A polémica da Taça da Liga, em que o Sporting acaba o jogo apurado e minutos depois está fora, tem razão de ser. Inesperadamente, o famoso grito de estádio “Está na hora, xôr árbitro!” passa a justificar-se não para que um jogo acabe, mas para que ele comece.

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