Breves notas sobre a Seleção
Portugal leva 4 jogos consecutivos sem vencer. O caso assume contornos relativamente preocupantes se constatarmos que, à exceção da Rússia, trataram-se de adversários teoricamente inferiores à nossa Seleção. Os jogos a doer aproximam-se e há aspetos que têm de melhorar, sob pena de o apuramento para o Mundial não passar de uma miragem.
1 - O rendimento da defesa tem sido a grande dor de cabeça de Paulo Bento. Sem Pepe, as dificuldades da equipa tornam-se ainda mais visíveis. Em certos momentos, os jogadores portugueses têm tido desconcentrações fatais que não podem acontecer em alta competição. Dá ideia que, à mínima adversidade, os nossos atletas não conseguem reagir e entram numa espécie de depressão coletiva, um bloqueio mental, que torna a equipa incapaz de jogar o que realmente sabe.
2 - No processo ofensivo, Portugal parece estar longe do fio de jogo dinâmico que apresentou no Euro’2012. Falta-lhe velocidade e criatividade na criação de espaços. Há uma excessiva rigidez no posicionamento da equipa, que não permite movimentações e trocas de posições que baralhem as marcações adversárias. Deste modo, e apesar do domínio aparente, a nossa Seleção tem criado poucos lances de verdadeiro perigo.
3 - Além disso, temos jogadores em claro abaixamento de forma. São os casos de João Pereira, Bruno Alves e Miguel Veloso. Porém, a situação de Nani é a mais evidente. O extremo está muito longe daquilo que já o vimos fazer. A época no Manchester United, por razões técnicas e físicas, não lhe está a correr de feição e o seu rendimento está abaixo do esperado. Nota-se que tem falta de ritmo. Seria bom que dentro de um mês, já pudesse apresentar outro “andamento” em termos físicos e anímicos.
4 - Em certas posições do terreno, a escassez de soluções começa a notar-se. Nas laterais, o problema é visível. Paulo Bento tem dificuldade em encontrar alternativas fiáveis a João Pereira e Fábio Coentrão. No centro da defesa, Luís Neto ainda está a dar os primeiros passos e terá de mostrar menor nervosismo e sintonia com os colegas. Soluções para os lugares de extremo, para lá de Cristiano Ronaldo e Nani, também não há muitas.
5 - Por fim, parece claro que Portugal apresenta duas facetas distintas quando joga com e sem Cristiano Ronaldo. Quando o capitão não está, o nível global da equipa e a produtividade do futebol praticado baixam imenso. A Seleção tem de aprender a jogar sem o seu melhor jogador. O espírito coletivo e a qualidade dos jogadores têm de vir ao de cima e a motivação de ser internacional por Portugal tem de criar uma maior transcendência na sua performance.
6 - É apenas uma constatação. Do onze português que alinhou de início contra o Equador, oito jogadores são representados pelo mesmo empresário. E quase outros tantos estavam no banco. Nada contra o agente, que tem o engenho de assegurar uma carteira de clientes recheada de bons valores. Mas o seu peso no balneário da Seleção é inegável.
7 - André Gomes tem um potencial enorme. É um médio de grande talento, a precisar de minutos no Benfica para crescer ainda mais. E é o primeiro produto da nova geração de equipas B a garantir uma chamada à Seleção Nacional, sendo a prova provada de que o futebol português só tem a ganhar com as formações secundárias e que outros jovens talentos poderão seguir as suas pisadas. Fica apenas uma ressalva: André Gomes ainda só fez 5 jogos na 1.ª Liga. E uma pergunta para os mais atentos: quem é o seu representante?
O CRAQUE
Crescimento contínuo
Já o disse e repito. O central Mangala reúne características físicas e técnicas que o podem levar a ser jogador de top mundial. Esse potencial está a confirmar-se. Esta época ganhou minutos a lateral-esquerdo e aproveitou a lesão de Maicon para se tornar imprescindível no onze portista. Rápido, possante e dono de um impressionante poder de impulsão, o francês está a crescer. Muito. Depois de Fernando Couto, Aloísio, Jorge Costa, Jorge Andrade, Ricardo Carvalho, Pepe e Bruno Alves, entre outros, este é mais um excelente produto da notável escola de centrais do dragão.
A JOGADA
Cristiano merece apoio
Cristiano Ronaldo deu esta semana mais uma bofetada de luva branca a todos aqueles que continuam a arranjar motivos para implicar com ele. Como resposta às provocações de que foi alvo, falou na alegria que continua a sentir em vestir a camisola da Seleção Nacional. É algo que devia encher de orgulho todos os portugueses que gostam de futebol. É tremendamente injusto que se tente colocar em causa a sua dedicação à equipa de todos nós. O esforço e rendimento exibidos dentro de campo falam por si.
A DÚVIDA
Kléber e a ironia do destino
Na semana em que Kléber preferiu a 2.ª divisão brasileira em vez do Sporting, uma notícia passou quase despercebida. Ironia do destino, a decisão da Comissão Arbitral da Liga, no que toca a duas ações movidas pelo Marítimo, relacionadas com as transferências de Pepe e do avançado brasileiro para o FC Porto, deu razão à posição portista. Além das custas dos processos, os madeirenses até vão ter de devolver 100 mil euros. O presidente do Marítimo encheu capas de jornais, disse cobras e lagartos do FC Porto, e a montanha pariu um rato. Valeu a pena tanto lavar de roupa suja?
