Bruno e o orgulho
Bruno de Carvalho está longe de provar que será um grande presidente do Sporting, mas já não precisa de mais tempo para mostrar que é um grande adepto do clube. A necessidade impulsiva de defender “a instituição”, como ele diz, é um resgate do orgulho ferido.
O corte de relações com o Porto é uma reação excessiva a uma deselegância de um vice portista. É como o Guimarães cortar relações com o Benfica porque os seus jogadores, amuados, saíram do relvado antes da celebração da Taça. Mas, ao mesmo tempo, esta imaturidade emocional de Bruno de Carvalho é uma prova de devoção. O Sporting tem sido bobo noutras cortes e pagode noutras cidades. Bruno exige respeito. Estar falido não é ser falhado. E mais vale perder a calma que perder a alma.
Esta posição do novo presidente do Sporting é inédita. É que Bruno de Carvalho é tudo menos menino. A forma como não se vergou aos credores, desafiando os bancos mais poderosos do país (e negociando com eles), a bravata com os outros clubes, o corte de salários, as vendas de jogadores caros (e há tantos que ganham muito mais do que merecem), a quebra de ligações com agentes, tudo isto são murros no peito e murros na mesa que estão a mostrar que a brincadeira acabou. Muitas coisas falharão com certeza, mas não ficarão na mesma e na mesma estariam mal.
Bruno de Carvalho não está a arrumar a casa, está a desarrumar a casa. De cada vez que arreda um armário, abre uma gaveta ou enrola um tapete, descobre um custo inexplicável ou um comissionista atrelado. Ainda não sabemos bem o que quer Bruno plantar, mas sabemos que ervas quer arrancar. São as daninhas.
PS: Sobre Vítor Pereira e Jorge Jesus, o título do “Jornal de Notícias” de ontem diz tudo: “O que ganha vai-se embora, o que perde fica.”
