Bruno joga as fichas todas
Se as melhores razões que Bruno de Carvalho tinha para despedir Marco Silva eram aquelas que ontem divulgou publicamente, então ficou claro que não havia nenhum motivo forte para mandar embora o treinador que deu ao Sporting o único título nos últimos sete anos. A decisão estava há muito tomada e só a voz grossa do povo aguentou o treinador até final da temporada. Com os - bons - resultados que se viram.
Mas o que tem de ser tem muita força e era óbvio que Marco Silva não poderia ficar nem mais um minuto em Alvalade. Perante o risco de perder grande parte do crédito e unanimidade junto dos adeptos, Bruno de Carvalho sabia que só tinha uma saída: substitui-lo por outro treinador que não deixasse dúvidas a ninguém. Com Pep Guardiola e José Mourinho fora de hipótese, a solução que restava era Jorge Jesus, o bicampeão nacional ao serviço do grande rival Benfica.
Verdade seja dita: a jogada do líder dos leões é de mestre. A única forma de fazer os adeptos esquecerem de um treinador muito querido e admirado por todos é substitui-lo por outro que seja tão ou mais admirado. Ao mesmo tempo, lança a dúvida no maior rival e campeão em título, agora obrigado a fazer o "desmame" de seis anos sob o comando de um treinador marcante.
Ninguém é dono do futuro e é impossível antecipar qual será o sucesso de Jorge Jesus no Sporting. Em agosto, a equipa de Alvalade joga a Supertaça precisamente diante do Benfica e disputa o acesso à Liga dos Campeões poucos dias depois. Será o momento chave para Jesus e, acima de tudo, para Bruno de Carvalho. Se vencer, o Sporting criará uma onda de entusiasmo que será difícil de travar; mas, se perder, esta jogada arriscada será questionada por todos. Nessa altura, não faltarão vozes contra as decisões atuais.
Bruno de Carvalho fugiu do problema que ele próprio criou da única forma possível: para a frente. Se correr bem, vai entrar na história do Sporting e do futebol português como um estratega genial; se correr mal, arrisca-se a deitar por terra o mais precioso bem que tem atualmente: o apoio da grande maioria dos adeptos.
