Bruno vs. Marco
Se há coisa que a minha experiência enquanto jogador de alta competição me ensinou, ao longo de duas décadas de carreira, foi que uma equipa só pode ser gerida de dentro para fora. Não há outra forma eficaz e competente de o fazer! Primeiro constrói-se um grupo forte internamente, sempre em sintonia com aquilo que são os objetivos da equipa. Nesta fase, os seus líderes (treinador e presidente) são fundamentais na definição de um rumo e na transmissão da mensagem ao grupo de trabalho.
Tem de haver sintonia entre ambos, e quando me refiro a sintonia, falo não só da mensagem, mas também da estratégia definida. Em suma, têm de falar sempre a uma só voz e para o seio do grupo, não para o exterior. Essa fase vem apenas a seguir, e aqui tem de haver uma ação determinante e concertada por parte do departamento de comunicação, crucial na forma como a informação é veiculada para o exterior. “Como se diz” muitas vezes é tão ou mais importante do que “o que se diz”, daí a importância de um departamento de comunicação altamente profissionalizado, até na forma como gere os conflitos internos sem que estes cheguem ao exterior. Só assim se consegue formar um grupo forte e unido, composto por jogadores que sabem que os seus líderes estarão sempre do seu lado, num percurso onde a exigência e o compromisso terão de estar sempre presentes. A isto chama-se profissionalismo e competência, ao contrário daquilo a que chamo “gerir com emoção de adepto”.
Aquilo que vimos acontecer nos últimos dias no Sporting é o exemplo de tudo o que não se deve fazer. É o exemplo de como o mau dirigismo e a má comunicação podem minar o bom trabalho de toda uma equipa. É o exemplo do que acontece quando dirigentes populistas colocam os seus interesses acima dos interesses do clube. Por fim, é o exemplo do que acontece quando se permite que pessoas alheias ao clube falem em nome do mesmo. Aguardemos os próximos episódios, mas não auguro nada de bom como desfecho desta novela...
PS - Utilizando uma linguagem bélica para ilustrar aquilo que se tem passado em Alvalade, parece-me óbvio que um comandante nunca pode, jamais, disparar tiros fatais contra as suas próprias tropas.
