Camacho antecipou saída

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Foi o empate caseiro com a União de Leiria que, oficialmente, ditou a saída de Camacho do Benfica. No entanto, o ridículo tropeção com uma equipa condenada à descida - onde os problemas internos são constantes, com processos disciplinares, rescisões e ordenados em atraso - serviu apenas para acelerar um processo que há muito estava pensado, analisado e decidido. Por Camacho, é óbvio, mas também pelos responsáveis do clube.

O espanhol, na sua primeira passagem pela Luz, era um treinador frontal, incisivo e descomplexado. A equipa, ganhando ou não, mostrava uma garra tipicamente espanhola, lançando-se sempre para a frente em busca de um resultado positivo. E mesmo internamente, Camacho não se encolhia perante ninguém. Na equipa, no balneário, só mandava ele. Vieira era o único a quem dava justificações. Surpreendentemente, nesta segunda versão, o técnico surgiu quase sempre apático, com um discurso cinzento e repetitivo. E pior que isso: os resultados nunca ajudaram. A saída era uma questão de tempo. Estava garantida para o final da época, independentemente do Benfica assegurar o segundo lugar na Liga e, eventualmente, brilhar na Taça UEFA e na Taça de Portugal. Ninguém imaginava era esta sequência histórica de maus resultados em pleno Estádio da Luz. Camacho não sentiu forças para aguentar mais, ainda por cima numa altura em que, também extra-futebol, a vida tem sido dura para ele.

O espanhol, verdade seja dita, não escolheu a maioria dos elementos do plantel, nem tão-pouco participou na preparação da época mas, em 6 meses, podia e devia ter feito mais. Não arriscar, jogar sempre com um respeito exagerado em relação aos adversários e refugiar-se, constantemente, em explicações sem conteúdo mostraram um homem diferente: triste, resignado, incapaz de motivar quem quer que fosse. Parecia uma segunda versão de Fernando Santos!

Penso é que Camacho não devia ter batido com a porta a escassas horas do embate com o Getafe. Não me parece que suportar mais um jogo fosse assim tão penoso. A menos que o espanhol não acredite - ao contrário do que afirmou após a primeira mão - na reviravolta...

Irónico, no meio de tudo isto, é ver que o Benfica, mesmo empatando em casa com o Leiria, ganhou mais 1 ponto em relação ao Sporting. Já o disse e reafirmo: águias e leões parecem só ter olhos uns para os outros, mas deviam reparar que há mais emblemas à sua volta.

Uma referência ainda sobre o Sporting: Paulo Bento continua de "pedra e cal", imune aos resultados. Que outro treinador continuaria em funções em Alvalade se vencesse apenas 2 dos 12 jogos realizados fora de casa na Liga? Dirigentes e adeptos não exigiriam mudanças? Duvido...

PS - Naide Gomes e Nelson Évora voltaram a colocar bem alto o nome de Portugal, agora nos Mundiais de atletismo em pista coberta. Ouro e bronze enchem-nos de alegria e aguçam o apetite para Pequim. Parabéns!

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