Camisola cinzenta

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O FC Porto de José Mourinho lá somou mais uma vitória e parece consolidar-se como a única alegria do futebol português nos meses mais próximos. Com os altos e baixos de Benfica e Sporting, e a SuperLiga a perder competitividade em termos de primeiro lugar, os olhos viram-se progressivamente para a Selecção, ainda que essa esperança de motivação nacional surja cada vez mais difusa. Não é por acaso que Luís Felipe Scolari vai mostrando menos paciência e alguns jornais e jornalistas - farejando já um possível insucesso do seleccionador - quebram o verniz e começam a hostilizá-lo abertamente. O que é indesmentível é que a "equipa de todos nós" - a da feliz expressão criada por Ricardo Ornelas - não nos entusiasma a "nós todos" e os piores vícios da clubite já se "transferiram" para o desapoio à Selecção. Nem Luís Figo escapa ao ódio dos fiéis intérpretes da maior especialidade nacional: desfazer o trabalho dos outros e dizer mal de tudo e de todos. Mais um passo e é a desgraça. E ficaremos felizes.

José Romão

Bem podemos esperar que a exibição de hoje dos nossos Sub-21, em França, repare a péssima impressão que nos deixou a partida de sábado. Como é possível que uma equipa que constitui uma inegável soma de talentos jogue de forma tão desgarrada, tão desinspirada, tão à toa? O Cristiano Ronaldo do Manchester United era aquele? E o Quaresma do Barcelona? E o Postiga do Tottenham? E o Viana do Newcastle? Havia quem dissesse que os laterais eram o único ponto fraco do onze, mas eram coisas que se diziam antes de se ver a exibição de Jorge Ribeiro, para mais coroada com um golo. Então o que falta para ganharmos à França, que tem Cissé e mais dez? José Romão bem pode hoje, na própria toca do lobo, ajudar a que não se fale mais nisso. Ou então...

Toni

Incrível a carreira de Toni desde que não esteja ao serviço do Benfica. Em Bordéus, em Sevilha, na China ou no Egipto são alguns meses trabalho e rescisão garantida. O mal, parece-me vendo as coisas daqui, foi não ter continuado como adjunto de Carlos Queiroz depois da discreta passagem pelos Emirados Árabes Unidos. Quem sabe se Toni não estaria hoje no lugar de Peseiro em Madrid? Isto partindo do princípio que será confortável, que estará para durar a presença em Chamartin do ex-técnico do Nacional. Seja como for, falta a Toni uma experiência, fora do Benfica, na SuperLiga. É aqui que ele conhece o futebol e os seus artistas, lhe domina a língua e as manhas. Talvez uma das próximas "chicotadas" devolva ao futebol português uma das suas maiores figuras.

Pinto da Costa

Muito se pode e deve gabar o novo estádio do FC Porto, uma obra arquitectónica grandiosa e feliz, embora eu seja um confesso fã dos estádios criados pelo arquitecto Tomás Taveira, que devolvem, por si só, ao nosso futebol um dos aspectos que melhor se identifica com a sua grandeza passada e que há anos se esfumou: a alegria. O presidente Pinto da Costa tem razão quando fala do alto nível da obra que ergueu e pode igualmente orgulhar-se da qualidade da inauguração, que correu tão bem que até a previsão do resultado por parte de Luís de Matos pareceu coisa séria. O líder portista só falhou quando deixou a "red devil" que espalhou a relva em Alvalade deitar-lhe as sementes à terra nas Antas. Aquele batatal não é à Pinto da Costa! E vai dar chatice.

America's Cup

Botar uma velas à Senhora de Fátima pode já não bastar para trazer para Portugal a mais celebrada das competições náuticas, a mediática America's Cup, assim uma espécie de Euro'2004 do actual Executivo. A cidade espanhola de Valência poderá navegar já à frente da candidatura portuguesa e, se assim for, dificilmente o país-vizinho deixará de dispor dos argumentos necessários para arrematar a organização. Nada que nos espante. O que já me espanta - ou talvez não, que a gente vai-se habituando - é a "descontracção" com que vários governos permitiram o chavascal instalado em Pedrouços (com inúmeras reportagens que demonstravam a precaridade das instalações da Docapesca a caírem em saco roto) e a rapidez e a falta de bom senso político com que este Executivo chegou à praia e, a pretexto da organização da America's Cup - que estava então, como hoje, longe de estar assegurada -, fechou as barracas e lançou cento e tal pessoas no desemprego. Vivendo Portugal um período de recessão económica, com repercurssões sociais dramáticas, por que foi criado, agora e a destempo de qualquer cup, um problema destes? Talvez em época de algum entusiasmo com o Euro se pretendesse atirar as culpas pela situação para outro grande evento desportivo. Se foi, fica tudo dito.

Fyssas

O problema de Luís Filipe Vieira é que ou apresenta rapidamente reforços para animar as hostes ou os adeptos do Glorioso fazem para aí um arraial que não há quem os cale. E assim vem de lá um tal Fyssas, que não marca golos, que não parece milagreiro e que ainda por cima se deve ver grego primeiro que entenda onde veio aterrar. No jogo com Portugal, andou a tomar conta de Luís Figo parece que sem grande êxito, já que o Record, apesar de o considerar "cão de fila", disse também que Figo desperdiçou 5-oportunidades-5 de marcar um golo. Outro jornal qualifica-o de "jogador acima da média" (e ai dele se dissesse o contrário!) e outro ainda escreve que "bateu-se bem e ganhou algumas bolas". Se tiver sorte, pode ser uma boa alternativa a Cristiano.

Perguntas leva-as o vento...

1. João Pinto sempre está com a ideia do Qatar porquê? Por que não consegue mais "cá tar"?

2. O julgamento de Vale e Azevedo no "caso Euroárea" foi anulado por que num mês de audiências não se conseguiu apresentar nenhuma prova que o incrimine? O homem estará a pagar pelo que fez e também pelo que não fez?

3. Manuel José quer mesmo regressar ao Egipto? E ainda não foi porquê? Por que quer mesmo os 500 mil euros por ano, ou por que prefere honrar o contrato com o Belenenses, clube que sempre "sonhou" treinar? E será que o "Belém" se importa de mudar de treinador?

4. Por que tarda tanto a renovação do contrato de João Pereira com o Benfica?

O vento traz as perguntas, o vento leva as respostas...

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