Campeões!
A primeira reação é básica, mesmo primária, é a flor da pele a falar: é um orgulho do tamanho do Mundo ser português quando se vê José Mourinho singrar desta maneira. Nem é singrar, é sangrar. Não é só por vê-lo acumular recordes, “limpar” os campeonatos mais difíceis do Mundo, fazer os que o criticam primeiro calarem-se e depois sucumbirem ao elogio. É mesmo isto de ele ser português. De ser um português como nós a conseguir impossíveis.
A outra reação é de vitória, a de quem sente que também está a marcar golos quando ele os marca. Cristiano Ronaldo não é deste Mundo, é de uma outra galáxia. E o facto de haver um Lionel Messi a jogar nos mesmos dois campeonatos – o espanhol e o galáctico – não o menoriza: convoca-o para se ultrapassar, se superar, superar tudo. Messi, sendo tão diferente de CR7, é às vezes tão melhor do que ele, obriga-o tantas outras vezes a ser melhor que todos.
Isto já foi dito mas merece ser dito tantas vezes quantas forem necessárias: os portugueses têm agora má fama internacional por causa da economia, dos mercados, dos défices, das dívidas, das austeridades. É cruel mas o que se lê nos jornais estrangeiros de nós é que não sabemos trabalhar, nem queremos, somos indisciplinados, gastamos de mais e produzimos de menos. Mourinho e Ronaldo esfregam na cara desse preconceito que também somos outra coisa: somos os melhores.
Se o Record nos desafia a sermos felizes, olhemos hoje para La Liga. Fora com a crise, pelo menos por cinco minutos. Há portugueses que foram campeões em Espanha. E que são todos os dias campeões de Portugal.
PS: o colapso do Leiria é uma história triste. Não é a única. Falaremos disso, mas não hoje. Hoje é dia de campeões – nacionais e internacionais.
