Campeonatos da Europa nos "States"

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Passo a vida a ser surpreendido com as decisões que FIFA e UEFA inventam, dizem eles, em prol do futebol. E mesmo quando penso que a alucinação generalizada está esgotada, lá surge mais uma notícia invariavelmente difícil de perceber. A mais recente diz respeito ao aumento do número de países presentes nas fases finais do Campeonato da Europa. A partir de 2016... serão 24!

Quando era miúdo, qualquer selecção precisava de ser mesmo forte para entrar no lote de finalistas. Em 1984, por exemplo, quando Portugal jogou (e encantou) em França, só 8 tinham direito a estar no grande palco. Em pouco mais de três décadas, os "iluminados" do futebol conseguiram triplicar o número de finalistas. Mantendo esta interessante média, lá para 2045, penso que todas as nações membras da UEFA conseguirão estar na fase final.

Com uma fase final de 48 equipas, por exemplo, dificilmente algum país ficará de fora. Mas se tal se verificar, bastará explicar a quem de direito que Israel e Cazaquistão deviam jogar na Ásia. Se mesmo assim ainda sobrar alguém, também se poderá convencer a Turquia a optar pelo continente vizinho; dizer que São Marino não preenche um requisito qualquer; invocar eventuais problemas étnicos na Bósnia ou defender que Andorra, pura e simplesmente, não deve ter selecções de nada porque não tem gente em número suficiente...

E quanto à fórmula de disputa, também será fácil. Podemos colocar 24 equipazinhas a disputar os primeiros embates (tipo o "qualifying" do ténis), enquanto os "gigantes" entram só na segunda fase. Ou mesmo na terceira, não vá aparecer alguma surpresa desagradável.

Deixemos as brincadeiras de lado e sejamos claros: a UEFA só avançou com esta medida porque receia que, no futuro, mais selecções cotadas fiquem de fora. O exemplo recente da Inglaterra está bem vivo na memória de todos os que vêem o futebol como um negócio e não como um desporto. Correr o risco de ver Alemanha, Itália ou França falhar um Europeu é algo que atormenta muita gente. Aquela que só se preocupa com os milhões, com os direitos televisivos, com a publicidade, etc, etc. Afinal de contas, são os mesmo que inventaram a "Champions", sempre com o pretexto de ajudar à evolução do futebol, mas com o único intuito de salvaguardar os interesses económicos da própria UEFA e, claro, dos principais clubes, aqueles que, nos países mais poderosos, sabem que chegam à principal competição mesmo sendo quartos classificados nos seus campeonatos. Sim, nesta modalidade, pode-se ser campeão europeu sem nunca ser campeão nacional!!!

Não sou favorável a esta medida, embora perceba o que diz Gilberto Madaíl a propósito do tema. Para a Selecção isto é praticamente a garantia que jamais voltaremos a assistir a Europeus via televisão. Essa é a única parte positiva que encontro nesta decisão absurda.

Cada vez mais complicado será encontrar países com espaço, infraestruturas e dinheiro para levar por diante fases finais com esta envergadura. Se com 16, meia Europa faz alianças para organizações conjuntas, como será com 24? Deixo uma ajuda: convençam os norte-americanos a dar uma ajuda! Aquilo é muito grande, tem estádios, hotéis e aeroportos que nunca mais acaba e ninguém notará se 3 ou 4 milhões de turistas entrarem nas suas fronteiras com a ideia de ir ver o estranho desporto que tem empates...

PS - Platini vai avançar agora com jogos teste com 5 árbitros. Parece-me outra boa ideia. Mas com 22 talvez fosse melhor. Um para cada futebolista é o mais razoável. Recorrer às imagens vídeos não. Isso pode colocar em causa a verdade desportiva. As imagens só devem servir para os famosos sumaríssimos, acrescento eu...

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