Caso Herrera mal contado

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A gestão do caso Herrera pode ser crítica para o desfecho da época do FC Porto. Está em causa o capitão, herói do título e um jogador em torno do qual mau seria se o balneário não se unisse, dado ter sido essa a cultura de entreajuda e coesão inculcada por Sérgio Conceição. O médio não está a ser feliz nas suas exibições mas, oscilações de rendimento acontecem no futebol e, sem ter ido à seleção durante a paragem, nada impede que regresse rapidamente ao seu patamar habitual. Todavia, há também uma vertente negocial que pesa, e muito na balança, dado que a iminente saída a custo zero, fruto do bloqueio da renovação, torna-se gravosa. É a partir daqui que a história está a ser mal contada.

O representante de Herrera pediu seis milhões de euros de salário anual para renovar, dobrando o seu atual vencimento (escrutinando a via populista os quatro administradores foram aumentados mas num valor global de... 190 mil euros). Num vínculo de quatro épocas, até o mexicano fazer 33 anos, o FC Porto assumiria encargos impressionantes de 24 milhões de euros, uma loucura para uma SAD que já ficou muito perto dos 80 milhões de custos com pessoal no último exercício. Todavia, e como a este nível tão elevado da gestão desportiva não há anjinhos, se a ideia dos dragões fosse mesmo a de vender o médio no final desta temporada, aceitavam agora as exigências, impediam a saída a custo zero e, quando chegasse o verão, acolhiam qualquer proposta razoável que chegasse, dado que pelos vistos há meio mundo a bater-se pela sua contratação, não chegando a pagar a Herrera um cêntimo do tal novo salário estratosférico.

Se o FC Porto, que tem um longo historial de ‘renovações para sair’, não consegue concretizar esse passo, tão óbvio, com o seu capitão, cujo caso não deveria ser comparável aos de Marcano ou Reyes, então algo não bate certo. Pinto da Costa, por alguns apontado como sendo o mau da fita no mais recente desenvolvimento deste folhetim, na realidade até foi brando na forma como clarificou o principal fator de afastamento entre as partes, colocando um número concreto onde até agora apenas existiam rumores. Porém, daqui a algum tempo vai ter de ser ainda mais direto e contar mesmo tudo o que sabe, até para, se for caso disso, o próprio Herrera ter oportunidade de assumir perante os sócios se concorda ou não com a estratégia que alguém garante estar a conduzir em seu nome.

É lícito que qualquer jogador, desde que continue a ser bom profissional, prefira esgotar uma ligação e encarar o mercado como 'free agent', com o passe na mão, procurando assim lucrar mais com uma mudança de emblema. O que nenhuma SAD agradece é que, mesmo que de forma dissimulada, o odioso da questão seja progressivamente passado para o seu lado da barricada, podendo contaminar alguns adeptos face a uma linha de contenção que limita tomadas de posição institucionais para proteção dos objetivos desportivos. A Herrera, tão pródigo em declarações de amor ao clube, ou a quem o aconselha, não ficaria mal ter em conta, na hora da verdade, que a montra portista também teve algo a ver com a cobiça que agora o inebria.

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