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João Moutinho está num momento fantástico. Peça essencial no onze portista, ele é o principal responsável pelo futebol pressionante e de rápida circulação de bola que o FC Porto tem imposto aos seus adversários. A chave das boas exibições portistas está neste pequeno grande jogador que mais parece um relógio suíço, com uma precisão e fiabilidade impressionantes. Não sabe jogar mal.

Frente ao Málaga, João Moutinho teve uma exibição imaculada. O golo apontado coroou em pleno uma partida onde foi rei e senhor. As estatísticas dizem tudo: foi o jogador com mais passes realizados, mais faltas sofridas e mais remates à baliza. Foi o pêndulo que guiou a equipa portista para o bom caminho.

Dono de uma leitura de jogo acima da média, o internacional português está a atravessar a melhor fase da sua carreira. A dinâmica que imprime à sua movimentação dentro de campo só está ao nível dos melhores. Conjuga a pressão e recuperação de bola com criatividade e rapidez na circulação, escolhendo sempre os timings e locais certos para aparecer.

É uma formiga trabalhadora, enérgica e incansável no apoio à defesa e ao ataque. É precisamente neste último capítulo em que as melhorias são mais evidentes. A distância da baliza adversária e a falta de capacidade finalizadora eram os pontos fracos que frequentemente lhe apontavam. Esta época, o médio tem vindo a contradizer essa análise, dado que já remata mais vezes, bateu o seu recorde de golos no FC Porto (5) e tem surgido com maior frequência nos últimos 30 metros do terreno.

Vítor Pereira bem que pode agradecer a João Moutinho o facto de ter conseguido impor o estilo de jogo que mais aprecia. Só tendo um jogador com as características do médio algarvio seria possível incutir um futebol asfixiante, assente na circulação de bola e pressão alta sobre o adversário. O jogo azul e branco passa quase sempre pelos seus pés. É ele que define os ritmos, que encontra espaços e inspira os companheiros.

Como se costuma dizer, está no ponto. Os três anos no Dragão deram-lhe maturidade competitiva e estofo europeu. A fase de aprendizagem terminou. Não admira que o FC Porto tenha adquirido recentemente a totalidade do seu passe, muito provavelmente a perspetivar um encaixe milionário no próximo verão. Moutinho está pronto para voos mais altos.

Sem margem para dúvidas, trata-se do melhor jogador português a atuar na 1.ª Liga. A perda de um jogador deste calibre será um rude golpe para o nosso campeonato, onde escasseiam jogadores portugueses de qualidade nas principais equipas. Desejo apenas que, no caso de deixar o FC Porto, tenha a sorte de ir para uma clube ao nível do seu futebol, capaz de lutar pela conquista da Liga dos Campeões.

Nota: É bom não esquecer que João Moutinho é mais um grande jogador, entre muitos, trabalhado pela formação do Sporting. Numa altura em que o clube vive um momento importantíssimo na sua história, não deixa de ser caricato que um dos candidatos presidenciais use como bandeira eleitoral o acordo com uma empresa estrangeira para implementar uma nova metodologia de treino nas camadas jovens.

Se algo funciona bem no Sporting, e da qual os sócios podem ter orgulho, é precisamente o trabalho que tem feito ao nível da formação. Não precisa de importar modelos do exterior, o seu modelo já é exemplar. No meio de tantos problemas que o Sporting possui, a precisar de resolução rápida e eficaz, encontrar defeitos na formação, é ignorar a realidade do clube.

O Craque – Talento para dar e vender

Tem apenas 20 anos, mas até parece que joga ao mais alto nível há vários anos. A afirmação de Zezinho na primeira equipa do Sporting está a ser uma bela surpresa. Este jovem centrocampista guineense tem imenso potencial. Cumpre as tarefas do meio campo com grande eficácia, é exímio a defender e ainda tem tempo para emprestar alguma criatividade ao ataque da equipa. Mais um excelente produto da academia leonina, em percurso ascendente, que Jesualdo Ferreira irá certamente ajudar a crescer. É uma pena que tenha optado pela seleção da Guiné-Bissau, em detrimento de Portugal.

A Jogada – Quando David vence Golias

Uma das coisas mais belas no futebol é a incerteza no resultado. A lei do mais forte nem sempre prevalece. A estratégia tática dos treinadores, a motivação e transcendência dos jogadores, uma quebra de forma ou um simples dia mau, podem influir no desfecho final. Quem diria que o super poderoso Barcelona iria perder com o Milan mais fraco dos últimos anos? Numa semana em que se falou tanto de “autocarros” futebolísticos, aqui está a prova de que estes também podem ser uma fórmula de sucesso e revelar-se uma lição de futebol.

A Dúvida – Quebra física ou anímica?

Jorge Jesus disse que as competições europeias vão ter um papel determinante na atribuição do título de campeão da Liga 2012/13. A tese faz algum sentido, se olharmos pelo prisma do desgaste físico que sofrerá a equipa com maior tempo em prova na Europa. Mas hoje as equipas de top têm de estar preparadas para jogar duas vezes por semana. A título de exemplo, o FC Porto foi campeão nacional nos anos em que venceu Champions e Liga Europa. Não será a força anímica um fator mais importante para as contas finais?

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