Cerco apertado às comissões

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Cerco apertado às comissões
Cerco apertado às comissões

A FIFA está interessada em regular a atividade dos empresários de jogadores e o cerco promete ser apertado para uma profissão que lucra milhões com o negócio do futebol, nem sempre com a maior transparência. Urgem mecanismos que possam limitar os abusos em algumas comissões praticadas.

O futebol mercantilizou-se e hoje é mais do que um desporto, onde a figura do agente, representante, intermediário ou mediador, ganhou grande influência. Para se ter uma ideia, no ano passado gastaram-se cerca de 410 milhões de euros em transferências de jogadores no futebol europeu, sendo que 28% desse valor ficou nas mãos de empresários. É muito dinheiro.

Há muito que a entidade que gere o futebol internacional tenta supervisionar os agentes, dada a falta de controlo do dinheiro que circula através das milhares de transferências de jogadores que se fazem por ano, nas quais as comissões cobradas pelos empresários são uma importante fatia e razão de queixa para muitos clubes.

Para dar resposta ao problema, a FIFA criou um sistema informatizado, denominado Global Player Exchange (GPX), no qual serão colocadas informações sobre todos os jogadores do Mundo, permitindo aos clubes saberem, por exemplo, quando termina o contrato de um atleta ou qual a sua cláusula de rescisão.

Esta espécie de bolsa de contratações é uma boa ideia e pode reduzir a influência dos agentes, ajudando os clubes a conhecer o mercado de forma direta e a baixar os custos de intermediação. No entanto, apesar de útil, tem limitações. Como se contacta com o jogador a contratar? Através do agente, claro está. E se o jogador tiver contrato, quem faz a ponte entre clubes? Pois, o agente ou o intermediário.

Ao contrário do que se pensa, o trabalho de um empresário não passa apenas por colocar um jogador em contacto com um clube. Também atua ao serviço destes, assumindo-se como apoio ao diretor-desportivo. São eles que dão a conhecer aos clubes muitos jogadores de que nunca ouviram falar e que viajam pelo Mundo em busca de novos talentos, observando-os em campeonatos e torneios de seleções. É um trabalho legítimo que pode poupar tempo e dinheiro aos clubes. A grande controvérsia é mesmo o secretismo e falta de transparência das operações, dando azo a suspeitas de valores extrapolados nas comissões cobradas.

O modelo adotado pela Federação inglesa parece ser mais eficaz, no que toca aos agentes. Exige saber quem é quem e quanto cobra por cada operação, e ainda se a mesma contou com serviço de advogados ou foi intermediada por familiares de jogadores (prática frequente), obrigando-os a registar os vencimentos. Além disso, os pagamentos são efetuados pela própria federação. É um conceito semelhante ao da Casa de Transferências que já se defendeu para o futebol português, mas que nunca ninguém teve coragem de implementar, permitindo perceber e regular os fluxos monetários nas compras e vendas de jogadores, assim como os intermediários envolvidos nos negócios.

E os próprios agentes teriam a ganhar com a Casa de Transferências, já que se evitaria o aparecimento de profissionais clandestinos e sem qualquer qualificação para o cargo. Senão corre-se o risco de, como dizia o treinador do Queens Park Rangers, Harry Redknapp, o mercado se tornar “uma inacreditável e autêntica guerra de gangues a lutar por dinheiro”, onde cada “agente tenta inviabilizar o negócio dos outros”. Ora nem mais.

O CRAQUE

Um desafio em Sevilha

Um dos melhores guarda-redes portugueses vai jogar na exigente liga espanhola. Tapado por Helton no FC Porto, Beto foi campeão na Roménia e encontrou no Sp. Braga a montra ideal para se destacar. A ida para o Sevilha assume-se como o maior desafio da sua carreira e tem tudo para dar certo. Ágil entre os postes, com bom jogo de pés e eficiente no jogo aéreo, o guardião tem boa escola e é capaz de defesas impossíveis. Que tenha sorte em Sevilha. A sua qualidade falará dentro das quatro linhas.

A JOGADA

Os fundos e os clubes

Outra questão que envolve os agentes tem a ver com a sua presença em fundos que detêm percentagens de passes de jogadores. Face à falta de liquidez financeira, esta é uma realidade com que os clubes portugueses, e não só, têm de conviver, perdendo soberania nas decisões sobre o futuro dos seus jogadores. Dificilmente a FIFA e a UEFA vão conseguir proibir estes fundos, face às contendas jurídicas que os envolvem. Segundo um estudo recente, 15% dos agentes das principais ligas europeias, entre eles Jorge Mendes, já estão envolvidos em fundos deste género. É um novo poder no futebol.

A DÚVIDA

A malfadada Taça da Liga

Já disse anteriormente que é necessário repensar todo o modelo de competição da Taça da Liga. A prova tem mérito e existe potencial para a tornar mais atraente para clubes, patrocinadores e adeptos. No entanto, ano após ano, vão surgindo problemas atrás de problemas. Agora é o FC Porto que pode ser excluído por uma decisão na secretaria. Com um preciosismo de 15 minutos, que porventura até se passou com outras equipas e situações, dada a ambígua interpretação dos regulamentos da Liga, não será a própria competição quem sai mais a perder?

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